Manejo da broca do café é tema de encontro
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terça-feira, 30 de novembro de 2004
Vera Barão<br>Reportagem Local 
A broca de café está entre as principais causadoras da redução do peso e do valor do produto. Além de limitar as exportações, a praga piora a qualidade da bebida e pode possibilitar o ataque de fungos. As ações futuras que vão nortear a melhor forma de manejar a broca do café estão sendo discutidas por pesquisadores da América Latina e França durante o Workshopp Internacional sobre Manejo da Broca do Café, que começou ontem e prossegue até quinta-feira no Hotel Sumatra, em Londrina. O evento é promovido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Inseto que ataca o fruto do café em fase de granação ou maturação, a broca pode aumentar em função da colheita mal feita, segundo o coordenador regional da Secretaria de Produção e Comercialização/Departamento do Café, pesquisador Francisco Barbosa Lima, informando que não é permitida a exportação do café com mais de 10% de grão brocado. Este índice, segundo ele, foi ditado pelo próprio mercado e antigo Instituto Brasileiro de Café (IBC). ''A broca provoca os furos nos grãos podendo, inclusive, contribuir para desenvolver algum tipo de toxina produzida pelos fungos'', explica.
O pesquisador Rodolfo Bianco, membro da comissão organizadora do evento, informa que a praga deprecia o café de diferentes formas: tanto no peso quanto no valor do produto. ''Paga-se menos pelo café com broca e a qualidade é ruim, porque está associado a maior presença dos fungos. Dentro dos diferentes aspectos discutidos no evento, estamos dando ênfase às alternativas de controle da praga, sejam elas biológicas ou culturais'', comenta.
Outro aspecto, observado por Bianco, é a redução do uso dos agroquímicos, através da implantação do monitoramento da praga. ''Quando o produtor opta por monitorar a praga, dividindo a propriedade em diversas lotes, ele descobre que nem todas as áreas necessitavam do controle. Geralmente, o nível de dano não atingiu toda a área plantada'', explicou o pesquisador.
Responsável pelo desenvolvimento do Paraná, o café abriu fronteiras e firmou o país como o maior produtor mundial na década de 60. O Brasil produzia 25% da produção mundial e 50% da produção brasileira. Hoje, é o quarto colocado e, economicamente, o produto representa uma parcela menor do PIB do Estado, o que não impede ainda a sua grande importância social. Distribuidor de renda e gerador de empregos, o café ocupa uma área de 120 mil hectares no Paraná, a qual está nas mãos de 16 mil pequenos produtores que empregam 70 mil trabalhadores fixos e 210 mil temporários. O Paraná já chegou a plantar 1,8 milhão de hectares. ''O perfil hoje é de pequenos produtores que têm pouca possibilidade de participar do binômio - soja/trigo'', enfatiza Francisco Barbosa Lima.
De 1995 para cá, pelo menos 40% das lavouras substituiram o plantio convencional pelo sistema adensado (maior número de plantas por área), que melhora a produtividade.


