Mandioca enfrenta crise de mercado
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sexta-feira, 13 de abril de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
Os baixos preços pagos ao produtor de mandioca e a retirada do produto da cesta báscia de alimentos e da merenda escolar estão causando prejuízos aos produtores da região noroeste do Paraná. De acordo com estimativas do setor, mais de 70% da produção prevista para a safra 2000/01 terá dificuldades de escoamento.
Nos últimos sete anos a produção paranaense vem apresentando aumentos contínuos. Em 2000 foram colhidas 3,9 milhões de toneladas da raízes. A previsão para este ano é que a safra chegue a 4,3 milhões de toneladas. O Paraná é o segundo maior produtor brasileiro de mandioca. Muitas fecularias da região de Paranavaí estão com suas atividades paralisadas em pleno período de colheita devido aos baixos preços de mercado.
Para tentar uma alternativa, o deputado estadual Antonio Anibeli (PMDB), apresentou um projeto de lei para que o governo inclua a farinha de mandioca na cesta básica de alimentos. Por estarem fora da cesta básica os derivados de mandioca paranaense têm incidência de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) maior que em outros Estados. Isso faz com que a indústria e o mercado prefiram o produto de fora do Paraná, prejudicando os agricultores locais, diz o deputado. Nesta semana o governador Jaime Lerner assinou decreto que reduz o ICMS de 35 produtos agrícolas de 12% para 7% de ICMS.
A manutenção da farinha de mandioca na cesta báscia e entre os componentes da merenda escolar representava um alto percentual da demanda e os produtores programaram o plantio com base nessa demanda, conta o deputado. Agora eles estão vendo a colheita se perder porque as indústrias reduziram as compras.
O economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), Methódio Groxko, sugere que o setor se organize para pressionar os representante legais contra os prejuízos. Entre as medidas que podem ser tomadas é que o governo federal continue comprando farinha de mandioca para atender à demanda do programa de distribuição de alimentos. Essa farinha foi substituída por flocos de milho até dezembro de 2000 devido aos altos preços da mandioca. O problema é que depois da substituição o produto ficou sem mercado.


