Arquivo FolhaOpção econômicaChadad lembra que malha tem preço mais baixo que sintéticosPara o presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, o ramo de malharia é o que mais cresce no setor de vestuário. Em 1996, foi produzido no País 1,871 bilhão de peças com esse tecido. No ano passado, o número ficou em 2,532 bilhões. O ramo representa 80% do total de peças fabricadas no Brasil; os restantes 20% são divididos entre tecidos sintéticos e artificiais (10%) e de seda, veludo ou lycra (10%). ‘‘O brasileiro não se adapta muito a tecidos sintéticos.’’ Outro fator para o crescimento do segmento de malhas é que, por conta da falta de capital de giro, muitos produtores do setor decidiram investir nesse tipo de tecido, que custa mais barato. Apenas para ter uma idéia da diferença, enquanto uma peça de malha tem preço médio de R$ 2,91, a de tecido plano (indigo, lycra) custa R$ 11,21.
Mas, para lucrar com a produção, é preciso fabricação em ampla escala, o que não ocorre em pequenas malharias. ‘‘É por isso que os pequenos empresarios estão em dificuldades.’’
O presidente da associação informa que 60% dos fabricantes são de pequeno porte. E, embora reconheça as limitações da categoria, considera a concorrência com os grandes produtores bem equilibrada. ‘‘Os pequenos tem o Simples, que diminui a carga tributária, e os grandes tem como ponto favorável o uso da tecnologia.’’
Segundo Chadad, tem ocorrido ultimamente uma migração de grandes fábricas de malha para regiões onde são ofertados incentivos fiscais, como os Estados do Maranhão e de Minas Gerais. ‘‘Mas essa movimentação acaba prejudicando o pequeno industrial local que não conta com os mesmos incentivos das empresas originárias de grandes centros.’’
Se o assunto é a concorrencia de importados, Chadad não acredita mais em uma interferência no setor. ‘‘A importação chinesa, por exemplo, está limitada em 10% da produção nacional.’’ A crise causada pelos importados no setor, explica, ocorreu mais no setor de camisaria. Isso porque houve falta de matéria-prima aliada a um pequeno número de fábricas existentes no País. Outro fator que limita a concorrência dos produtos estrangeiros é que foram estabelecidos valores médios para a cotação de mercadorias. ‘‘Não entram mais no País roupas de R$ 0,80.’’
Uma saída para o pequeno, diz Chadad, é especializar-se na fabricação de certas linhas. ‘‘Como isso está ocorrendo no varejo, a indústria tambem tem de acompanhar.’’
Confira a seguir as dicas de Chadad para a montagem de uma pequena malharia: o investimento deve ficar em torno de R$ 20 mil. Esse valor sera suficiente para a produção mensal de até 3 mil pecas. O faturamento deve ficar em torno de R$ 40 mil a R$ 50 mil, com lucro de 5%. São necessários de 10 a 15 funcionários, divididos entre os setores de administração, produção e vendas.

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