Otávio Magalhães/Agência Estado
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VendidoA diretora de privatização do BNDES, Estela Palombo, o presidente da RFFSA, Isac Popoud, o ministro Eliseu Padilha, o presidente da Bolsa Rio, Fernando Optiz, Antônio Kandir e o leiloeiro Epaminondas Barbosa batem o martelo de venda da Malha Nordeste.O governo federal concluiu ontem a privatização da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) ao leiloar a Malha Nordeste, arrematada por R$ 15,8 milhões pelo consórcio Manor, formado pela Companhia Vale do Rio Doce, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Taquari Participações (grupo Vicunha) e Bradesco. A Vale e a CSN, ex-estatais, têm como presidente dos seus conselhos de administração o empresário Benjamin Steinbruch, cuja família á a dona do Vicunha. O consórcio terá a concessão da Malha por 30 anos e pagou um ágio de 37,86% sobre o preço mínimo, que era de R$ 11,461 milhões.
O vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, disse que a Fepasa, que é do governo paulista e não da Rede, poderá ser privatizada até o final do ano. O valor mínimo está em torno de R$ 200 milhões. Nas próximas semanas, o governo de São Paulo deverá pedir ao Conselho Nacional de Desestatização (CND) a inclusão da Fepasa no Programa Nacional de Desestatização (PND).
O leilão de ontem durou apenas 14 minutos e foi assistido pelos ministros do Planejamento, Antonio Kandir, e dos Transportes, Eliseu Padilha, pelo presidente da Rede, Isaac Popoutchi e do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros - que nunca tinha comparecido a um leilão. Três consórcios participaram, mas a disputa ficou apenas entre o da Vale/CSN e o liderado pela empresa de ônibus paulista Construbase.
Kandir fez grandes elogios ao trabalho de Popoutchi na condução, juntamente com o BNDES, da privatização da Rede. A malha Nordeste, por exemplo, tida como invendável, era responsável por um prejuízo anual de cerca de R$ 50 milhões e tinha patrimônio negativo. Ela foi reestruturada e acabou sendo vendida com ágio. O pagamento, em moeda corrente, será feito parte à vista (R$ 2,292 milhões, mais o ágio) e o restante em 108 parcelas trimestrais, corrigidas pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI). A nova concessionária terá de absorver 1,6 mil dos 2,4 mil empregados da malha e deverá atingir a uma produção mínima de 1,8 bilhões de toneladas por quilômetro útil transportadas em cinco anos, o que significa 162% a mais do que atualmente. Ela terá de reduzir o número de acidentes em 40% no período. A frota de vagões da malha é de 1919, com 112 locomotivas diesel elétricas. No ano passado sua receita com transportes foi de R$ 26,4 milhões. A malha tem 4.679 quilômetros de extensão e interliga os Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

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