Malásia faz testes de usina em Curitiba
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 1997
Simone Mattos Sucursal de Curitiba 
Gilson AbreuMiniaturaO engenheiro Clóvis Ávila em frente ao protótipo da usina de Bakun: obra da Malásia testada no ParanáA maior hidrelétrica em construção no mundo, a usina de Bakun, na Malásia, iniciou a sua fase de testes ontem, em Curitiba. Um projeto reduzido da hidrelétrica, construído no Centro Politécnico do Paraná, funcionará como laboratório de estudos e observações para técnicos da Malásia e do Brasil, durante um ano. A usina, com potência de 2.520 megawatts, seria capaz de abastecer 80% da necessidade de energia do Paraná. A obra estará concluída no segundo semestre de 2002.
O modelo, construído num tamanho cem vezes menor, foi elaborado pelo Centro de Hidráulica e Hidrologia Professor Parigot de Souza (Cehpar), uma instituição paranaense que executa projetos em parceria com a Copel e com a Universidade Federal do Paraná.
Através do modelo reduzido poderemos estudar a possibilidade de problemas hidráulicos e outros detalhes fundamentais na construção da usina, na Malásia, afirmou um dos engenheiros do Cehpar, Clóvis Ávila. Ele explicou que o procedimento é fundamental na fase inicial de construção das hidrelétricas. Segundo o engenheiro, o modelo instalado no Politécnico é o único no mundo que atenderá a hidrelétrica de Bakun.
Através de licitação pública, a Cehpar foi escolhida para desenvolver o projeto. Temos grande know-how no assunto, garantiu Ávila. A instituição já desenvolveu projetos reduzidos de grandes hidrelétricas, como Itaipu, com 12.600 megawatts, e Xingó, com 6 mil megawatts.
Atualmente, o Cehpar também abriga o modelo reduzido da hidrelétrica de Salto Caxias, localizada no Sudoeste do Paraná e com previsão de início de funcionamento para 1998, com uma potência de 1.240 megawatts.
O empreendimento hidrelétrico de Bakun pertence à Bakun Hydroeletric Corporation (BHC), uma organização privada da Malásia, e está sendo construído pelo consórcio ABB-CBPO, que inclui companhias do Brasil, Malásia, Estados Unidos, Austrália e vários países da Europa. A Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), do Grupo Odebrecht, é a empreiteira nacional envolvida no projeto.
O valor total do contrato, estimado em US$ 5,5 bilhões, é o maior no mundo destinado a um empreendimento hidrelétrico. O custo inclui o projeto de engenharia, a construção, o fornecimento e montagem de equipamentos e a operação comercial da usina. O Cehpar participará apenas da fase de testes e estudos.


