Malan venderá imagem positiva do País
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domingo, 08 de setembro de 2002
Agência Estado 
Brasília - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, começa, hoje, em Madri, na Espanha, mais uma série de encontros com banqueiros e autoridades financeiras européias para tentar garantir a manutenção das linhas de crédito para o País. A equipe econômica se dividiu em três grupos, que passarão esta semana em alguns pontos do mundo, tentando convencer os investidores de que a economia brasileira continua nos trilhos, e que a atual aversão generalizada a risco no mundo - que atinge diretamente a disposição de conceder crédito ao Brasil - é exagerada.
Além de Malan, estão na Europa o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guardia. O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, embaixador Marcos Caramuru, está no Japão.
Depois de Madri, Malan irá para Londres e Paris. Fraga e Guardia estão na Suíça desde sábado, participando da reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS), e seguem esta semana para Frankfurt, na Alemanha, e Amsterdã, na Holanda.
As conversas com banqueiros e investidores terão como pano de fundo o acordo firmado entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que colocará à disposição do País US$ 30,4 bilhões ao longo dos próximos 15 meses, assegurando assim, em boa parte, as necessidades de financiamento externo do primeiro ano de mandato do novo presidente. O acordo foi formalmente aprovado pela diretoria do Fundo na última sexta-feira, o que já garante o direito de saque de cerca de US$ 3 bilhões ao País.
As reuniões seguirão o formato utilizado por Fraga e Malan num encontro realizado há duas semanas com banqueiros em Nova York. Os representantes do governo brasileiro buscarão fazer uma apresentação detalhada da situação econômica atual, mostrando que os fundamentos continuam sólidos e que a dívida pública - uma das maiores preocupações dos credores - é plenamente administrável.
Malan e os demais membros da equipe econômica levarão para as reuniões um trunfo importante: o apoio formal dado pelos quatro principais candidatos às eleições presidenciais ao acordo com o FMI.
Essa sinalização, obtida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no mês passado, será utilizada para tentar convencer os investidores de que a transição política será tranqüila, não justificando, portanto, possíveis reduções nas operações de concessão de crédito ao País. A idéia é mostrar que as perspectivas são positivas e que, apesar das incertezas em relação à transição política, qualquer que seja o resultado das eleições os fundamentos econômicos não serão alterados, enfatizou uma fonte da equipe.


