Malan vai ao Senado e admite 'vulnerabilidade'
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quarta-feira, 09 de dezembro de 1998
Agência Folha 
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que a percepção dos investidores externos sobre a vulnerabilidade da economia brasileira não é incorreta . Existe, sim, uma percepção, que não é incorreta, de uma vulnerabilidade do Brasil, devido à nossa dificuldade em caminhar para uma solução duradoura do nosso desequilíbrio crônico e estrutural da parte fiscal, avaliou Malan.
O ministro fez uma exposição sobre o acordo do Brasil com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e outros organismos internacionais na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O acordo tem o objetivo de restaurar a credibilidade do País, abalada em setembro pelo calote que a Rússia, com uma situação fiscal semelhante à brasileira, deu em sua dívida. A grave situação apresentada logo após a moratória da Rússia foi afastada, o que não quer dizer que a crise tenha sido superada e que nós não tenhamos que responder de forma adequada ao contexto internacional, afirmou Malan.
O ministro informou que, em novembro, a perda de reservas em dólar foi de cerca de US$ 1 bilhão. No final de outubro, o estoque de reservas estava em US$ 42,385 bilhões. Desde o início da crise desencadeada pela moratória russa, em meados de agosto, já saíram do País cerca de US$ 28 bilhões. A explicação para essa fuga, segundo Malan, foi o temor, dos investidores, de que o País faria uma maxidesvalorização cambial, imporia moratória aos seus credores ou, ainda, estabeleceria restrições à saída de capital.
No acordo de financiamento assinado com os organismos multilaterais de crédito, o Brasil se comprometeu formalmente a não impor controles às saídas de capital. Malan afirmou, ontem, que a decisão de firmar essa proibição foi do próprio governo brasileiro. O objetivo, segundo ele, seria evitar o desestímulo à entrada de investimento estrangeiro e também dar maior conforto aos bancos centrais envolvidos no empréstimo de US$ 13,28 bilhões coordenado pelo BIS (banco central dos bancos centrais).


