No quarto dia de funcionamento da nova política cambial brasileira, o ministro Pedro Malan (Fazenda) tentou desfazer ontem, em reunião com 12 representantes de grandes bancos e corretoras dos EUA, a preocupação com a volta da inflação no País e a estabilidade do câmbio.
‘‘A maior preocupação dos investidores foi com a nossa habilidade de ir em frente a curto e a médio prazos, manter a inflação sob controle e construir as condições para acomodar a taxa de câmbio e manter o crescimento’’, relatou Malan à saída do encontro, no centro financeiro de Nova York.
O encontro foi organizado, a pedido do ministro, pelo presidente regional do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), Bill Mac Donough. Durante pouco mais de uma hora, Malan conversou com representantes de entidades financeiras que comandam investimentos de cerca de US$ 35 bilhões, quase 30% do total de investimentos externos no País.
Depois da reunião, Mac Donough disse, ao ser questionado sobre o risco de um calote brasileiro, que o País não vai precisar nem renegociar seu débito caso a relação dívida/PIB prometida ao FMI seja cumprida. No caso do acordo com o Fundo, o governo prometeu manter a dívida interna em no máximo 44,9% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano. Os juros altos e a desvalorização cambial devem forçar o governo a adotar medidas para que essa promessa seja cumprida.
O presidente do Fed em Nova York disse ainda que os megainvestidores fizeram sugestões ao ministro Pedro Malan, mas não quis revelar detalhes da conversa. ‘‘A reunião foi muito construtiva: tivemos a oportunidade de explicar como sentimos a situação do Brasil. Recebemos excelentes comentários, perguntas’’, disse o ministro. ‘‘Quase todos têm compromissos no Brasil, confiança no Brasil.’’
Os investidores evitaram comentários à saída da reunião. Entre os presentes à reunião com Malan estavam George Soros, de um dos maiores fundos de investimento do mundo, William Rhodes, do Citibank, Henrique Meirelles, do Bank Boston, e Ernest Stein, do banco J. P. Morgan.

mockup