A prisão do ex-presidente do BC, Francisco Lopes, captou toda a atenção de seu ex-chefe, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, que estava em Washington ontem, em negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Antes de saber da prisão de Lopes, Malan disse que a CPI dos bancos ‘‘é parte do funcionamento das sociedades democráticas e pode resultar em maior transparência e eficiência das organizações governamentais, inclusive do Banco Central’’.
Ao saber da prisão de Lopes por um assessor, Malan trancou-se numa sala dentro do FMI e acompanhou os desdobramentos pela Internet. Ele não quis comentar a prisão. O relacionamento do ministro com Lopes nunca foi bom. Os dois disputavam espaço dentro da equipe econômica. Durante o dia, Malan repetiu que encarava com ‘‘serenidade’’ a CPI e que não tem ‘‘nenhum problema em dar as explicações’’.
Já o presidente do Banco Central, Arminio Fraga, distribuiu ontem, por intermédio da assessoria de imprensa do BC, uma declaração afirmando que a atual diretoria do BC está pronta para colaborar com a CPI do Sistema Financeiro e, ao mesmo tempo, pretende cumprir com seus objetivos de política econômica. Segundo a declaração, ‘‘a instituição não pode ser vítima de atitudes pessoais’’. Fraga, que também estava em Washington, foi informado da prisão de Francisco Lopes no momento em que ela ocorreu. Ele soube pela assessoria do BC e pelos serviços noticiosos em tempo real.
Falando sobre a situação da economia brasileira, Armínio Fraga disse ter projeções preliminares indicando que a recessão do País em 1999 poderá ser menor que 2%. Esse número indica uma crise muito menos severa do que a esperada. A previsão anterior (do governo brasileiro e do FMI) era de recessão de 3,8%. Malan disse que o Brasil deverá recuperar o crescimento no ano que vem, com uma expansão do PIB que poderá chegar a 4%.

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