Malan rejeita pressões para mudar Real
Malan rejeita pressões para mudar Real
Ministro da Fazenda diz em Curitiba que as críticas e o ano eleitoral não vão influenciar na condução do Plano
Carmem Murara
Marcelo AlmeidaPara frenteO ministro Malan com Ardisson Akel, da ACP: O real tem rumo próprio que não será desviadoO ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou ontem, em Curitiba, que o desempenho eleitoral do presidente Fernando Henrique Cardoso e as críticas da população ao Plano Real não serão motivos suficientes para convencer a equipe econômica a promover alterações no plano. Segundo o ministro, o plano tem um rumo próprio, que não será desviado. Seguramente não há pressão política por parte do presidente Fernando Henrique para que haja qualquer alteração, garantiu Malan.
O ministro participou da inauguração da reforma do prédio da Associação Comercial do Paraná. Ele fez um discurso a empresários sobre o desempenho do Plano Real e sobre a condução do processo de estabilidade, e reforçou a idéia de que os brasileiros estão confiantes no Plano Real. A maioria esmagadora da população aprova o poder de compra e o valor da moeda, e por isso não vamos nos pautar pelo calendário eleitoral, afirmou.
Os empresários queriam ouvir do ministro medidas para redução mais rápida das taxas de juros. O ministro foi evasivo e preferiu não falar sobre um possível índice a ser alcançado até o final do ano, mas enfatizou que os juros chegarão aos patamares em que estavam antes da crise asiática - em outubro do ano passado - após a próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom). Não prevemos taxas para o final do ano, afirmou.
Malan também não arriscou falar em crescimento da economia para este ano, mas lembrou que pelo sexto ano consecutivo o País registra crescimento na economia. Quanto ao emprego, ele ressaltou que esta é uma questão que só será resolvida a médio ou longo prazo, quando aumentar progressivamente o volume de investimentos internacionais no Brasil. Ele citou a política industrial paranaense para lembrar que todo o País passa por uma grande atração de dinheiro de empresas estrangeiras.
O ministro se mostrou favorável à decisão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), André Lara Resende, que desistiu de usar os recursos da privatização das estatais dos Estados para abater dívidas destes com a União. É um grande equívoco usar receita da privatização para financiar gasto corrente do governo. Isso é o mesmo que vender um apartamento para ir jantar fora, afirmou Malan, ao lembrar que estava usando uma antiga comparação citada pelo o economista e ex-ministro Mário Henrique Simonsen. Ele faz uma ressalva, dizendo que apóia alguns casos em que o dinheiro é utilizado para programas em que haja um bom retorno social.
Quanto ao déficit público, Pedro Malan voltou a citar as quatro razões que levam o País a ter números negativos: falta de reforma da previdência, empréstimos e financiamentos a Estados e municípios, manutenção de empresas estatais e a máquina do Executivo federal. Ele lembrou que somente o déficit da Previdência foi de R$ 3 bilhões no ano passado e deverá ser de R$ 6 bilhões neste ano.
ContrabandoO ministro da Fazenda falou ainda sobre a fiscalização da Receita Federal e do Exército em Foz do Iguaçu e sobre a reação dos sacoleiros, que interditaram a Ponte da Amizade. É inaceitável qualquer tipo de ameaça, afirmou. Ele disse ser favorárvel a qualquer ação contra o contrabando.





