O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou abertamente ontem que é contrário à dolarização na América Latina e acabou criando mal-estar em relação ao regime cambial argentino (leia ao lado). Depois de sua exposição na 6ª Cúpula Econômica do Mercosul, o ministro chegou a ser questionado sobre se defendia a saída da Argentina do regime de conversibilidade, instituído pelo então ministro da Fazenda Domingo Cavallo.
Malan não opinou. ‘‘Acho que a resposta é simples: não caberia a um ministro brasileiro tecer considerações dessa natureza’’. O tom das afirmações, porém, levou o ministro das Relações Exteriores e do Comércio Internacional da Argentina, Adalberto Rodriguez Giavarini, a iniciar sua entrevista coletiva, após a palestra de Malan, afirmando categoricamente, com ‘‘absoulta convicção’’, que o regime cambial argentino será mantido.
Questionado por jornalistas sobre as palavras de Malan, que chegaram a ser interpretadas como uma defesa aberta do fim da conversibilidade na Argentina, Giavarini respondeu: ‘‘Como chanceler, não me atreveria a fazer nenhum tipo de recomendação para a política de qualquer outro país’’.
O ministro Malan lembrou que o caso do Equador, que adotou a dolarização recentemente, deve ser acompanhado de perto. ‘‘Há um amplo concenso de que a dolarização não é uma panacéia’’, disse. O ministro também citou as declarações de Robert Mundell, opinando que ele teria feito ‘‘declarações teóricas’’.
Em seu discurso, o ministro Malan defendeu o projeto de uma moeda única para a região, que classificou de um tema essencial. ‘‘Não é para já, é para um horizonte que não é possível se definir agora, mas deveremos buscar a convergência de políticas macroeconômicas, condição básica para a adoção da moeda única’’, explicou Malan.
O ministro lembrou que quem espera resultados rápidos sobre a adoção da moeda única na América Latina pode estar ‘‘colocando o carro na frente dos bois’’. Malan disse que é preciso caminhar na direção da moeda única ‘‘sem açodamento’’. O mais importante, lembrou o ministro, é que os países se preocupem em buscar a estabilidade econômica. O primeiro passo no sentido da convergência macroeconômica, segundo ele, já está sendo dado, que é a harmonização de estatísticas da área fiscal dos Bancos Centrais dos países integrantes do Mercosul.
Em entrevista coletiva, Malan endossou as críticas feitas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, de que algumas pessoas estejam dando excessiva atenção ao sobe-e-desce dos mercados financeiros. ‘‘Medir a confiança na nossa economia apenas pelo comportamento das bolsas é uma visão
curto-prazista’’, completou.

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