Malan, recordista no cargo, perde apoio
Agência O Globo
Do Rio
Na próxima sexta-feira, dia 13, faz seis anos que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, chegou ao primeiro escalão da equipe econômica, como presidente do Banco Central. Ele saiu depois para assumir o ministério e já bateu o recorde de permanência no cargo nos últimos 15 anos. Nesses seis anos no comando da economia, seu poder e influência no governo só cresceram.
Mas, semana passada, Malan recebeu um duro golpe e, provavelmente, de onde menos esperava. Foi criticado em público pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães. E o PFL, até agora o maior avalista no Congresso de sua política, tem intenção de abandoná-lo. Em conversas nos bastidores, pefelistas garantem que o partido desistiu de defendê-lo dos adversários desenvolvimentistas tucanos.
Ele é criticado pelo PFL do Nordeste por não ter se empenhado para garantir os benefícios para que a Ford se instalasse na Bahia. E até a idéia difundida pelos pefelistas de que Malan era indispensável à imagem do País no exterior foi transferida para o presidente do BC, Armínio Fraga. Na reunião da executiva do PFL, na quinta-feira, foram feitas duras queixas contra o ministro.
Quando a economia ia bem e o país estava crescendo, as pessoas faziam vista grossa para a arrogância do ministro. Mas quando se está no fundo do poço, as pessoas querem pelo menos carinho, diz um integrante do partido que participou da reunião. No Congresso, Malan é respeitado, mas visto como um burocrata de fala difícil e que trata com desdém os que não entendem o economês.
Entre auxiliares, amigos e até ex-companheiros de trabalho, no entanto, a explicação para essa postura é que o ministro é inteligente, culto e muito bem preparado. Daí sua dificuldade em perceber que nem sempre os outros entendem sua linguagem técnica. O ar blasé, segundo os amigos, vem desde os tempos acadêmicos. Os que convivem com o ministro elogiam sua habilidade em conciliar e administrar conflitos. A seriedade e a reserva que mostra em público são substituídas na intimidade por brincadeiras. O secretário da Receita, Everardo Maciel, e o ex-presidente do BC Gustavo Loyola, parecidos fisicamente, eram muitas vezes apresentados por Malan a outras pessoas com os nomes trocados, apenas para fazer piada.
Uma de suas qualidades, segundo os amigos, é que Malan ouve mais do que fala. Para os inimigos, porém, o ministro evita dar suas opiniões para não se comprometer nem correr riscos.





