O ministro Pedro Malan (Fazenda) considerou ''equivocada'' a crítica feita pelo ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, à política cambial adotada pelo Brasil. O ministro Celso Lafer (Relações Exteriores) também reagiu e disse que ''lamenta profundamente'' as declarações feitas por Cavallo.
Nesta semana, o ministro argentino voltou a atacar o regime de câmbio flutuante adotado pelo Brasil. Para Cavallo, a desvalorização do real reduziu os salários ''em dólares'' dos brasileiros e obrigou a Argentina a adotar restrições comerciais a seus parceiros do Mercosul.
''O Brasil tem um regime de taxas de câmbio flutuante que não pretende abandonar'', disse Malan por meio de nota divulgada pelo Itamaraty. Os argentinos creditam parte das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país à desvalorização do real. A Argentina adota um regime de câmbio fixo, em que um peso vale um dólar.
Depois da maxidesvalorização do real, em janeiro de 1999, os produtos brasileiros ficaram mais baratos do que os argentinos no mercado internacional.
Cavallo afirmou ainda que, se o real continuar se desvalorizando, a Argentina irá rever suas relações comerciais com o Brasil. Malan respondeu, dizendo que ''se algum parceiro comercial pretende analisar o que fazer com o Mercosul, o Brasil espera que isso seja analisado nos foros apropriados, e não por meio de declarações à imprensa''.
Não é a primeira vez que Cavallo critica o regime de câmbio flutuante adotado pelo Brasil. No ano passado, antes de fazer parte do governo De la Rúa, o ministro disse que, com o real, os brasileiros se transformaram em ''coelhinhos de laboratório'' para estudos do Banco Central.

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