O ministro da Fazenda, Pedro Malan, anunciou ontem que o governo adotará medidas para estimular o setor de construção civil e conter o nível de desemprego no País. Malan não detalhou os estudos técnicos, lembrou que não houve um agravamento no número de desempregados no País, mas reconheceu que somente o setor de construção civil e uma alteração na legislação trabalhista podem permitir um maior uso da mão-de-obra no País. As declarações do ministro foram feitas durante reunião com empresários do setor de comércio e construção civil no Distrito Federal, onde o nível de desemprego já atinge a 18% da população econômicamente ativa.
A reunião com o ministro foi marcada pela divulgação de uma pesquisa com 501 moradores de Brasília e das cidades satélites, que apresentou dados conflitantes com a que também foi divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Enquanto a pesquisa da Federação do Comércio aponta para um índice de aprovação do Plano Real, a da CNI evidencia que, a nível nacional, é menor o número de pessoas que ainda sustenta uma aposta de sucesso do plano. ‘‘O poder de compra das pessoas é melhor hoje do que quando estávamos naquela vergonhosa inflação de 5.000% ao ano’’, reagiu. As duas pesquisas, no entanto, coincidem em um ponto: aumentou o medo do desemprego no País. Malan comentou que a questão do desemprego é um desafio não apenas brasileiro. ‘‘O Brasil não é uma exceção’’, acrescentou.
Ele garantiu aos empresários que o desemprego será enfrentado com investimentos no setor da construção civil, em outras atividades privadas e no aumento das exportações. Pela primeira vez ele admitiu que o desemprego dos últimos meses foi resultado das medidas de retração da atividade econômica adotadas em 1995. ‘‘Naquela época se o governo não colocasse um freio na economia o real ia descarrilar’’, sustentou. Malan reconheceu, também, que a excessiva rigidez dos contratos de trabalho contribuiu para reduzir o número de empregados no País e defendeu regras menos rígidas. ‘‘Todos ganhariam se houvesse maior maleabilidade’’.
Malan defendeu ainda a continuidade do combate à inflação, citou a previsão dos economistas privados de que os índices este ano devem ser inferiores a 7% e apostou que, no próximo ano, a inflação será menor ainda. Mais uma vez, garantiu que o crescimento sustentado não é incompatível com níveis baixos de inflação. ‘‘Falar em recessão é uma bobagem’’, comentou ao se referir ao temor da população de que o País inverta a rota do crescimento. ‘‘Não tivemos, não temos e não teremos recessão’’, insistiu. Ele contou que algumas indagações que chegam ao ministério se referem à preocupação do setor privado de que existe um grau excessivo de atividade econômica. ‘‘E isto também é um equívoco’’. Para ele, falar em recessão agora é uma preocupação de quem ‘‘não sabe ler bem os números’’, já que o País caminha para o quinto ano consecutivo de crescimento econômico.

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