Os investimentos diretos no Brasil, neste ano, vão superar os US$ 12 bilhões registrados de março de 1996 a abril de 1997, segundo afirmou, ontem, o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Trata-se de uma taxa recorde nas estatísticas do País. No ano passado, cruzaram as fronteiras brasileiras US$ 9,4 bilhões de capital direto estrangeiro.
Malan participou 9º Forum Nacional, promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), do ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ao lado do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, e dois outros ministros - do Planejamento, Antônio Kandir, e da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles. O senador Antônio Carlos Magalhães foi o primeiro a falar e disparou críticas sobre questões econômicas.
Em uma delas, afirmou que a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) não deverá ser aprovada com a facilidade que o governo espera. Os ministros da área econômica, segundo ele, deveriam se empenhar mais em concretizar uma reforma tributária do que em convencer o congresso a votar favorável a uma prorrogação do FEF.
‘‘Ao contrário do que disse o presidente do Senado, tenho convicção de que o FEF será aprovado’’, respondeu Malan durante seu discurso, mas quando ACM já tinha deixado o BNDES. E concluiu: ‘‘Os parlamentares devem pensar no que será bom para o País e não para esse ou aquele município.’’ Realizar uma reforma tributária no Brasil é uma tarefa das mais complexas, segundo ele, porque exige a participação de estados e municípios. ‘‘Estamos em uma democracia e as reformas são negociadas’’, afirmou.
O ministro descartou mudanças na política cambial, apesar do aumento do déficit em conta corrente e dos problemas na balança comercial. ‘‘É um equívoco este excesso de preocupação em acompanhar o dia-a-dia da balança comercial’’, afirmou. O déficit de transações correntes está sendo financiado, de acordo com o ministro, pelo capital da melhor qualidade. Os investimentos diretos externos são responsáveis pelo financiamento de 40% desse déficit e outra parte vem sendo coberta pelas emissões de papéis do setor público e privado no exterior, com taxas e prazos cada vez mais favoráveis.

mockup