O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que o governo trabalha com uma expectativa de inflação de 0,6% ao mês a partir de outubro deste ano, depois de uma alta inflacionária ainda neste semestre. Malan não quis fazer uma previsão de quanto seria esse pico inflacionário. Disse apenas que aconteceria próximo a abril e maio.
Sobre as previsões que admitem uma inflação de 16,9% ao ano, o ministro afirmou: ‘‘Nós trabalhamos com cenários, com faixas de variação possível de algumas variáveis macroeconômicas, entre elas essa (de 16,9%)’. Segundo o ministro, esse patamar de inflação de 0,6% no final do ano levaria o país a ter um índice anualizado - que dizer projetado em 12 meses, não acumulado no ano - de 6% a 7%. Ele ressaltou que esse número é apenas de uma expectativa e não uma meta inflacionária.
Como instrumentos para controlar a inflação, Malan citou a política monetária - ou seja, aumentar os juros - e fiscal. Ele afirmou ainda que a competitividade desenvolvida durante o Plano Real ajudará a segurar a alta dos preços. ‘‘Talvez o mais importante é a atitude do consumidor brasileiro que adquiriu a capacidade de avaliar os preços depois de cinco anos de inflação declinante.’
Malan, que participou ontem no Rio de Janeiro do Fórum Empresarial Mercosul-União Européia, afirmou que a criação de uma moeda única do Mercosul pode ser possível e desejável num futuro remoto. Foi a primeira vez que uma alta autoridade do governo brasileiro admitiu enfaticamente a adoção de uma moeda única no Mercosul.
Até então, a discussão sobre a adoção da moeda única estava restrita aos círculos diplomáticos dos países do Mercosul, como um assunto praticamente acadêmico. O governo brasileiro via com ressalvas a unificação das políticas monetária e cambial com os vizinhos do Mercosul.
Segundo Malan, o principal objetivo é criar uma estabilidade relativa da moeda do Mercosul com as grandes moedas internacionais - o dólar, o euro e o iene. Essa moeda, disse o ministro, seria criada a partir de uma paridade estabelecida entre as várias moedas dos países do Mercosul, como aconteceu na formulação da cotação do euro.
Malan enfatizou diversas vezes que a moeda única é assunto para um futuro distante. ‘‘Quando digo em algum momento do futuro - e por favor, eu não quero ser mal interpretado - eu não estou falando amanhã, nem semana que vem, nem em mês que vem, nem daqui um ano. Dura anos e anos à frente, para que possamos fazer uma coisa semelhante ao que os europeus fizeram.’
A mesma idéia foi defendida também pelo embaixador José Alfredo Graça Lima, negociador do Brasil no Mercosul. Ele afirmou que a moeda única é um ‘‘caminho natural’’ a ser seguido pelos países integrantes do Mercosul.

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