O ministro Pedro Malan reforçou ontem o pedido para que o Federal Reserve (Fed) diminua os juros internos dos Estados Unidos, para reduzir a atratividade dos títulos norteamericanos diante dos papéis dos países emergentes, que precisam dos investidores internacionais para financiar suas contas. O pedido recebeu apoio explícito do diretor de Assuntos Fiscais do Fundo Monetário Internacional (FMI), Vito Tanzi. ‘‘O melhor para todos seria a decisão do Federal Reserve de baixar os juros logo’’, disse.
Malan participa em Washington da reunião dos ministros de Economia e Fazenda de 11 países das Américas com representantes do FMI, que começou ontem e termina hoje, e pediu também aos organismos internacionais que dêem sinais claros para que o mercado possa operar com maior ‘‘racionalidade’’.
Vito Tanzi - que não participou da reunião mas tem acompanhado de perto as economias latinoamericanas - afirmou que uma redução dos juros norteamericanos ‘‘representaria uma injeção de oxigênio para aqueles que estão tentando escapar do contágio da crise asiática’’.
Mas Tanzi, como Malan e outros ministros, acha pouco provável que os Estados Unidos tomem hoje uma decisão, pensando nas repercussões internacionais. ‘‘Os EUA têm que pensar em seus problemas internos: sua economia está ainda operando a um nível de capacidade elevado, os salários tem aumentado, e existe sempre o risco de que a inflação volte’’, disse Tanzi.
Na abertura do encontro, o diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, e o diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo, Claudio Loser, fizeram uma exposição tendo como foco a necessidade de se diferenciar a América Latina dos demais emergentes em crise.
Eles ressaltaram o avanço das reformas econômicas no continente, o processo das privatizações e o fato de a América Latina ter governos estruturados. Isso permitiu reações prontas e eficazes, como na crise asiática de outubro de 1997, e no México, em 95.
A incapacidade de governos e de instituições financeiras mundiais para influenciar as reações do mercado foi um dos temas centrais da reunião. A prova foi o comportamento das bolsas, que despencaram, apesar de um encontro cujo objetivo principal era tranquilizar aqueles que investiram algo na América Latina.
‘‘Hoje, a comunidade internacional está muito mais dependente das avaliações de investidores, do que de governos e instituições, que deveriam introduzir racionalidade no mercado financeiro’’, disse João Batista do Nascimento, assessor de imprensa do ministro Malan, ao relatar partes do encontro.
Segundo Tanzi, a demora das grandes potências em atuar, propondo uma solução conjunta para a crise, se deve também ao fato de EUA e Europa não terem sido ainda afetados seriamente. ‘‘Os EUA representam 25% da economia mundial e a Europa outros 25%’’, explicou Tanzi. ‘‘Como existe um enorme fluxo de comércio entre os dois, a situação para ambos permanece estável, e ninguem vê a necessidade de ações imediatas’’.
Mas, segundo o funcionário do FMI, o imobilismo que está caracterizando essa crise, tem outra explicação. ‘‘Falta liderança no mundo’’, disse. ‘‘Há alguns anos, tinhamos alguns líderes que controlavam mesmo seus países, agora já não é mais o caso’’, acrescentou, referindo-se ao Japão, aos EUA e à Alemanha, especialmente. Segundo ele, isso acaba afetando também a atuação de instituições, como o FMI. ‘‘Dinheiro não é o problema’’, disse, referindo-se à falta de recursos do Fundo.France PresseDiscursoMalan com o Eduardo Aninat, do Chile: por racionalidade nos mercados
crédito:Agência Estado

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