BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que a ocorrência de déficits na balança comercial não vai levar o governo a alterar a política cambial. Ele admitiu apenas promover aperfeiçoamentos no sistema de bandas cambiais, e descartou completamente a possibilidade de o governo recorrer a uma maxidesvalorização do real como alternativa para estimular as exportações e garantir saldos positivos na balança comercial. ‘‘Isto seria passar um atestado de incompetência sobre a nossa capacidade de resolver problemas estruturais’’, comentou.
Durante almoço com jornalistas, Malan se preocupou em demonstrar que o déficit comercial de US$ 5,5 bilhões registrado no ano passado foi facilmente financiado pelos investimentos externos que ingressaram no País e minimizou as críticas sobre a fragilidade das contas externas. ‘‘Eu aposto que as exportações vão se recuperar’’, afirmou, referindo-se às medidas já adotadas para estimular as vendas de produtos brasileiros ao exterior.
Malan deixou claro que não existe qualquer possibilidade de o País voltar a perseguir megasuperávits comerciais. ‘‘O jogo mudou’’, disse em tom firme. ‘‘Enquanto eu estiver como ministro - e a data de saída é 1998 - a política econômica não muda’’, insistiu. O ministro comentou que nenhum economista ‘‘em sã consciência’’ defende uma mudança abrupta na taxa de câmbio neste momento. ‘‘Dez em cada dez analistas acha que a correção do câmbio tem que ser gradual’’, comentou. ‘‘A solução não é uma maxi’’, repetiu.
Ele não quis avaliar o estudo da sua ex-secretária da área externa, Eliane Cardoso, (atualmente funcionária do Fundo Monetário Internacional) defendendo uma correção do câmbio. ‘‘Não conheço o estudo’’, disse. Mas aproveitou para criticar os que definem a necessidade de correção do câmbio a partir de uma comparação entre a paridade praticada e a variação do poder de compra do dólar. ‘‘Isto é uma idiotice’’, reagiu. ‘‘Tenho certeza que este não é o pensamento da Eliane Cardoso.’’
Malan também criticou informações, atribuídas à equipe econômica, de que o déficit comercial deste ano poderá chegar a US$ 8 bilhões. ‘‘Isso é pura adivinhação.’’ Não confirmou o número, mas deixou claro que mesmo um déficit desta proporção também seria facilmente financiado pelo ingresso de capitais externos no País. ‘‘No ano passado ingressaram quase US$ 9 bilhões e este ano os investimentos externos poderão ser até maiores’’, previu.

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