O ministro da Fazenda Pedro Malan disse ontem que o Brasil ‘‘não é a bola da vez no cenário econômico mundial e atribuiu a ‘‘ingênuos ou pessoas de má-fé a associação do país com a Rússia. O termo ‘‘bola da vez é comumente usado para designar países que correm risco de sofrer ataques especulativos. ‘‘Não há razão para que a crise na Rússia tenha efeitos sobre o Brasil. Há muitos torcendo para que isso aconteça. Acham que podem ter algum benefício político-eleitoral sobre isso’’, afirmou.
Ele não quis revelar quem estaria apostando contra o Brasil. ‘‘Prefiro que cada um faça a sua interpretação sobre quem são essas pessoas , afirmou, depois da abertura do Seminário da Associação de Organismos Supervisores Bancários da América Latina e do Caribe, em Porto Alegre (RS). ‘‘O governo, porém, já está tomando reservadamente algumas medidas de precaução’’, disse.
Uma delas foi arquivar a idéia de iniciar, no curto prazo, uma redução no ritmo de desvalorização cambial. A decisão foi tomada diante do agravamento da crise internacional nas últimas semanas. Hoje, o real vem sendo desvalorizado mensalmente em 0,64%, o que no ano deve significar uma desvalorização superior a 7,5%. Ou seja, um ganho real acima de 4%, caso a inflação feche o ano em 3%. Uma redução na desvalorização do câmbio permitiria uma queda maior nas taxas de juros. ‘‘Mas o momento é de manter a política atual’’.
Malan garantiu que o Brasil está mais bem posicionado atualmente do que em outubro no ano passado, quando o governo dobrou as taxas de juros para evitar fuga de capital externo. ‘‘Há uma percepção que toma corpo gradualmente no mundo de que o Brasil não é a bola da vez’’.
Segundo ele, essa crise continuará apenas afetando os títulos da dívida externa brasileira e o mercado de ações, que já sofrem os impactos da crise asiática. ‘‘É evidente que o Brasil não está isolado, mas ainda não está claro o que acontecerá por lᒒ, afirmou.

mockup