O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem em Fortaleza que o governo não adotou uma perspectiva eleitoreira na decisão de reduzir o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) das pessoas físicas de 15% para 6% ao ano. ‘‘Essa é uma tese que atrai muita gente, mas não é o caso’’, disse.
Se tivesse pensando apenas em agradar o eleitor, diz Malan, o governo não teria adotado medidas que vão em direção contrária à queda do IOF, como o aperto na capacidade de endividamento dos Estados e municípios e a proibição da emissão de debêntures por parte de empresas.
A queda do IOF, segundo Malan, já vinha sendo analisada havia tempos pela equipe econômica e só foi adotada agora devido à conjuntura favorável. O ministro da Fazenda disse que não tem condições de dimensionar de forma ‘‘milimétrica’’ qual o impacto que a medida terá na economia brasileira. ‘‘Mas que este impacto vai ser positivo, disso eu tenho certeza. A queda do IOF vai reaquecer a economia, facilitar a vida dos devedores e dos tomadores de crédito’’, disse.
Malan voltou a defender o uso do dinheiro arrecadado nas privatizações no abatimento das dívidas dos Estados. Ele considerou um ‘‘erro grave’’ usar tais recursos para para pagar salários do funcionalismo e dívidas correntes.
Citando o ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen, Malan comparou os governantes que adotam esta postura ao cidadão que vende sua casa, não paga suas dívidas e passa a viver do dinheiro da venda. ‘‘Com o tempo, ele ficará sem a casa e continuará devendo’’, disse Malan.

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