O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que é prematuro pensar em reações de política econômica ou monetária devido ao impacto dos altos preços do petróleo sobre a economia brasileira. Questionado sobre as projeções do Banco Mundial de que o crescimento de países em desenvolvimento poderá ser reduzido entre 0,25% e 0,75% devido ao choque de petróleo, Malan disse que ‘‘são exercícios, não demonstrações de teoremas’’.
O Brasil prevê importar US$ 6,5 bilhões em petróleo em 2000, um aumento de US$ 2,2 bilhões em relação aos gastos de 1999, segundo informou ontem a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spindola. Mas o ministro afirmou que o impacto da importação de petróleo mais caro ‘‘será compensado parcialmente do ponto de vista fiscal, já que o resultado da Petrobras ficará muito acima do esperado’’. Já o impacto sobre a inflação dependerá, segundo o ministro, de quanto os preços irão cair.
Questionado sobre a possibilidade de um novo reajuste de combustíveis, Malan respondeu que o governo segue acompanhando com atenção o mercado de petróleo e que ‘‘é óbvia a percepção de que os preços do barril estão em um nível insustentável e deverão cair’’
Malan disse que não irá discutir nenhuma alteração nos termos do acordo brasileiro com o FMI durante a reunião anual da instituição em Praga. Segundo ele, não haverá discussão sobre metas trimestrais de inflação. ‘‘Quaisquer discussões nunca são feitas no âmbito da reunião anual, e sim nas revisões trimestrais’’, disse.
Sobre a possível redução no saldo da balança comercial deste ano para US$ 1 bilhão ‘‘ou menos’’, Malan frisou que o resultado comercial não é critério de desempenho ou mesmo meta indicativa do acordo que o Brasil tem com o Fundo.

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