Dida SampaioStanley Fischer e Pedro Malan, durante encontro ontem em BrasíliaSem explicar as razões da demissão do presidente do Banco Central (BC), Francisco Lopes, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que continua contando com a confiança do presidente Fernando Henrique Cardoso para permanecer no cargo. Malan informou que ele e Lopes colocaram seus cargos à disposição ‘‘há vários dias’’ - a data não foi revelada -, mas apenas a saída do presidente do BC foi aceita por Fernando Henrique. ‘‘Perguntem ao presidente’’, respondeu quando indagado sobre os motivos da saída de Lopes.
Em entrevista convocada às pressas no final da manhã de ontem e pouco antes de receber o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, Malan disse que vai permanecer no cargo enquanto ‘‘gozar da confiança do presidente da República’’. Acrescentou que diante do clima de incertezas, ele e Lopes deixaram o presidente da República à vontade para substituí-los.
Emocionado, Malan chegou a ficar com a voz embargada quando falava de sua disposição de permanecer no governo, ao contrário dos boatos que surgiram no mercado nas últimas semanas. ‘‘Sempre fui um servidor público de carreira. Nunca fui nem pretendo ser outra coisa. Minha função é servir ao País e ao excelentíssimo presidente’’.
Malan anunciou a substituição de Lopes na presidência do BC pelo ex-diretor da instituição, economista Armínio Fraga, mas enfatizou que essa mudança não representa nenhuma alteração no regime de câmbio flutuante nem na orientação da política econômica. Ele reiterou, no entanto, que mecanismos de intervenção no mercado de câmbio entrarão em vigor em breve.
As respostas de Malan sobre as razões da saída de Lopes foram ambíguas, mas ele deixou transparecer que a decisão foi tomada pelo presidente da República. Sem admitir que o governo quer imprimir à presidência do BC o perfil de um operador, o ministro da Fazenda disse que a troca do comando da instituição objetiva uma operação mais adequada ao regime de câmbio flutuante.
Armínio Fraga reestreou na Esplanada dos Ministérios em ritmo acelerado. Em seu primeiro dia como assessor especial do ministro da Fazenda - cargo que ocupará enquanto seu nome não for aprovado pelo Senado Federal -, Fraga passou boa parte da tarde reunido com Malan e com o vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, enquanto estava sendo discutida a adoção de regras de intervenção no mercado de câmbio, para evitar movimentos especulativos. Na sede do Banco Central, Fraga permaneceu apenas por alguns minutos, antes de rumar para o Ministério da Fazenda, onde participou de reunião com Malan e Fischer.

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