O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem, em Nova York, que os juros no Brasil devem cair para 20% ao ano até dezembro de 1999. Malan discursou para 400 convidados, entre banqueiros, representantes de investidores e jornalistas. Hoje, a Tban (Taxa de Assistência do Banco Central, o teto dos juros) está fixada em 42,25% e os juros do over estão em 38%.
A queda nos juros foi motivo também de um pequeno mal-entendido. Após o discurso de Malan, o vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, participou da conferência por telefone. Ele disse que os juros no Brasil cairiam a 20% até o final de 1998. Malan não desmentiu. Somente na entrevista coletiva, depois, é que o ministro negou: ‘‘Não prestei atenção no momento, mas asseguro que a queda a esse nível só deve acontecer no ano que vem’’, retificou.
Malan e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, mostraram para a platéia detalhes do plano de redução do déficit brasileiro (na casa dos 7% do PIB hoje) e do pacote de ajuda divulgado pelo FMI na última semana.
Eles desmentiram a negociação de uma outra linha de crédito, oriunda do setor privado. ‘‘Não estamos discutindo e não pedimos nenhum comprometimento formal do setor privado. O que estamos tentando mostrar é que o governo vai continuar sua linha de atuação, empreendendo as reformas necessárias e que esperamos o apoio deles. O retorno tem sido muito bom’’, disse Malan, que anteontem almoçou com banqueiros americanos e canadenses.
O ministro confirmou que a primeira parcela da ajuda de US$ 41,5 bilhões será liberada em dezembro, após o dia 2 (quando acontece a reunião da direção executiva do FMI, que dará aval ao pacto). A primeira parcela será entre US$ 9 bilhões e US$ 10 bilhões. Segundo Fischer, a segunda parcela terá valor igual e estará à disposição do Brasil em janeiro. ‘‘Em dois meses, o País poderá usar US$ 18 bilhões’’, afirmou.
Malan disse não saber quanto o País irá usar. Anteontem, ele havia estimado algo em torno de US$ 37 bilhões. ‘‘Mais bem-sucedida terá sido nossa missão quanto menos precisarmos do dinheiro. Mas depende de várias condicionalidades, de como estará o mercado.’’

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