O Fundo Monetário Internacional (FMI) chama atenção para o desequilíbrio das contas externas do Brasil porque em 1994 falhou em prever a crise financeira do México, e foi muito criticado por isso, afirmou o ministro da Fazenda, Pedro Malan (foto). Em seu primeiro dia na Reunião Anual do FMI e Banco Mundial, Malan reclamou da repercussão das análises do FMI sobre o Brasil. ‘‘O Fundo sempre foi terrivelmente cauteloso em relação ao Brasil’’.
O ministro não endossa a previsão do FMI de que o Brasil terá, em 1998, um déficit equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nas chamadas contas correntes do País, resultado das transações de comércio e serviços entre o País e o exterior. ‘‘O déficit em conta corrente está em 4,3% do PIB e não deve baixar nem subir significativamente no ano que vem’’ previu o ministro.
Para Malan, é ‘‘inócua’’ a afirmação do FMI no relatório Perspectivas da Economia Mundial, de que está crescendo o déficit em conta corrente e isso exige maior aperto nas contas públicas. Encarar os comentários do FMI como uma advertência ao Brasil é ‘‘perder tempo com bobagem’’.
Em entrevista à imprensa estrangeira, Malan começou o trabalho da comitiva brasileira à reunião do FMI e Banco Mundial, de mostrar à opinião pública que o Brasil está em situação muito diferente da Tailândia, que teve de pedir ajuda internacional para enfrentar uma crise especulativa. ‘‘A Tailândia teve três anos de déficit consecutivo de 3%, de 1992 a 94, e dois anos com mais de 8%’’, lembrou.
O governo está agindo da única forma possível para enfrentar o déficit nas contas externas, disse o ministro. Além de estimular exportações e a competitividade da produção interna, o governo procura incentivar a poupança interna (com novos tipos de previdência privada para que o País precise menos do dinheiro do exterior.

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