Brasília - Um dia depois de o Brasil ter tido a classificação da sua dívida rebaixada pela agência Moody's e pelo banco Morgan Stanley, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, reafirmou que a fase de desconfiança será superada. ''Não tenho dúvidas que o Brasil vai virar esse jogo, o Brasil é maior do que essa turbulência'', disse.
''Vamos reverter esse processo e mostrar que o País tem todas as condições de superar as turbulências do momento presente, realizar uma transição tranquila e madura politicamente e assegurar as condições de governabilidade do primeiro ano do próximo governo.''
Num movimento para aplacar as dúvidas dos agentes financeiros internacionais a respeito das políticas a serem adotadas pelo próximo governo, o presidente Fernando Henrique Cardoso marcou reuniões com os principais candidatos a sua sucessão. Na avaliação de Malan, esses encontros são ''um sinal de maturidade política a lidar com a situação econômica e com a transição para a futura administração, qualquer que seja ela''.
Ele esclareceu que não se espera, nesses encontros, que os candidatos adiantem informações sobre que medidas adotarão ou quais serão os componentes de uma eventual equipe de governo. ''Não acho necessário'', disse Malan. ''Espero é que, na linha do que eles vêm dizendo, escrevendo e publicando, mostrem claramente seu compromisso com o País e seu futuro.'' Malan se mostrou otimista quanto ao resultado dos encontros. ''Seguramente será positivo'', afirmou.
O ministro esteve ontem pela manhã na abertura do 2º Seminário Nacional sobre Execução Fiscal, organizado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), e defendeu uma reflexão ''profunda'' sobre os gastos públicos e seu financiamento.
Ao comentar as pressões crescentes pelo aumento de despesas, o ministro lembrou que só há três saídas para essa situação: aumentar receitas, contrair dívidas ou fazer retornar a inflação, a ''droga'' da qual o Brasil foi viciado durante muitos anos.
''Não surgiu no mundo um gênio que encontrasse uma alternativa e estou seguro que ele não surgirá no Brasil'', disse. O ministro aproveitou, ainda, para defender o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, que ''é acusado de ser portador de um defeito genético, um código de DNA que o caracterizaria pela sanha arrecadatória''. Malan assegurou que o secretário ''não é portador de tal defeito genético'' que seria responsável pela ''volúpia arrecadatória''.
Segundo o ministro, o problema da tributação não pode ser dissociado da discussão sobre gastos. Ele disse, ainda, que não considera a carga tributária brasileira baixa, mas ela também não seria, segundo ele, das mais altas do mundo.

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