O ministro da Fazenda, Pedro Malan, voltou a afirmar que não há uma previsão de data para instituir a isenção da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) para investimentos em bolsas de valores, mas disse que o governo está trabalhando para colocar a medida em vigor ainda este ano. Malan negou que o anúncio feito ontem pelo secretário de Política Econômica, Amauri Bier, tenha sido motivado para amenizar os protestos (na quinta-feira, na Bovespa) relacionados ao Brazil Day movimento realizado pela Bolsa de Valores de Nova York, reunindo executivos de 27 empresas listadas no seu pregão.
''A medida anunciada na quinta-feira foi para reafirmar a posição do governo, porque havia uma visão equivocada de que o governo havia deixado de lado a isenção da CPMF para as bolsas e que não valia mais o que constava no texto publicado no ínicio do ano (Agenda para 2001 e 2002) no qual o presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu isentar as bolsas deste imposto'', afirmou Malan, durante o Brazil Day.
Após uma palestra com empresários investidores, Malan tocou o sino de abertura de negócios na Bolsa de Nova York (Nyse). Sobre a instituição da isenção, ele disse que o governo está estudando a forma jurídica para aprovar a medida de maneira correta, mas disse que não há uma data fechada.
''Espero que esta medida leve a um aumento de liquidez e das transações para as operações na Bolsa, tanto para o aplicador brasileiro como o estrangeiro'', afirmou. Ele ressaltou que a isenção da CPMF por si só, não vai revitalizar o mercado de capitais. Outras mudanças são necessárias, entre elas, a aprovação da Lei das Sociedades Anônimas. O Partido dos Trabalhadores adiantou, ontem, que pretende ir à Justiça contra a decisão do governo.

Em Nova York, Malan disse a investidores e empresários que é totalmente contrário à dolarização da economia Argentina. Para ele, a dolarização para um País de grande dimensão como a Argentina não seria viável. ''Há algumas ilhas no Pacífico, como as ilhas Salomão e alguns pequenos países do mundo, como o Equador, onde a dolarização pode ser feita e bem sucedida. Mas dolarizar a Argentina seria um grave equivoco'', afirmou. Malan disse ainda que no estágio atual é impossível que os países desenvolvidos não se envolvam em problemas de um grande país emergente. E finalizou: ''A Argentina tem condições de superar suas dificuldades''.

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