O Congresso vai discutir o acordo com o FMI. O governo decidiu submetê-lo ao Senado – apesar de interpretações divergentes sobre a obrigatoriedade –, mas não corre risco de ver as medidas alteradas.
Líderes dos partidos de oposição disseram ontem que a votação do acordo no Senado será ‘‘homologatória’’. ‘‘Mesmo que nós pudéssemos mudar alguma coisa, o governo tem maioria’’, argumentou o líder do bloco de oposição, senador José Eduardo Dutra (PT-SE).
Depois de negociar com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PSDB-RR), a oposição conseguiu aprovar na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) a realização de audiência pública com os ministros Martus Tavares (Planejamento) e Pedro Malan (Fazenda) para explicar o acordo.
Os ministros não serão convocados, mas convidados. Poderão escolher a melhor data para o depoimento. A oposição quer que a audiência seja realizada na próxima terça-feira.
O acordo com o FMI divide a própria oposição. Enquanto petistas criticam o entendimento, senadores do PPS apóiam. ‘‘Se for um acordo que arrocha ainda mais – como é o receituário do FMI –, vamos nos manifestar contra’’, disse Dutra. O líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES), defende o acordo. ‘‘Na minha visão, não havia outro jeito. O que se pode questionar é a demora do governo para ir ao FMI’’, disse.
‘‘O empréstimo do FMI é muito importante para economia do País porque dá uma blindagem de confiança ao mercado internacional e demonstra que temos apoio também da comunidade financeira externa’’, disse o líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Magalhães Júnior (BA).
‘‘Acho muito importante esse acordo porque isso possibilitará ao governo brasileiro ter um colchão para usar se tiver necessidade’’, afirmou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE).(A.F.)

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