O ministro da Fazenda, Pedro Malan, se reúne hoje, no Rio de Janeiro, com o vice-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, para dar continuidade às negociações sobre o programa de ajuda financeira para o Brasil. O encontro será pela manhã, nas instalações do Ministério da Fazenda, e também deverão participar o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, e o secretário de Política Econômica, Amaury Bier.
A assessoria de imprensa de Malan tentou minimizar a importância da reunião, ao informar que se trata de apenas uma ‘‘escala rápida’’ que Fischer fará no seu vôo entre a Argentina e Washington (Estados Unidos). O vice-diretor-geral do FMI se reuniu ontem com o governo da Argentina, onde está em andamento um acordo com o Fundo. Além disso, já estava decidido anteriormente que Malan despacharia hoje à tarde em seu gabinete no Rio de Janeiro.
‘‘Não haverá assinatura de acordo. Será um simples contato pessoal entre Malan e Fischer. É coisa de rotina para aprofundar os entendimentos. Não será divulgado nenhum comunicado’’, enfatizou a assessoria de imprensa da Fazenda. Estavam marcadas para ontem à noite as saídas de Malan, de Brasília, e de Fischer, de Buenos Aires, rumo ao Rio de Janeiro. Os dois são amigos há vários anos.
A Agência Estado apurou que a passagem do vice-diretor-geral do FMI no Brasil estava prevista há alguns dias e confirmada ontem. O objetivo da conversa entre os dois é aparar arestas que estão ocorrendo nas negociações em andamento na área técnica. Segundo uma fonte qualificada do Ministério da Fazenda, apesar da aprovação do primeiro escalão do Fundo em firmar com o Brasil um acordo em moldes diferentes dos convencionais, está havendo resistência por parte dos escalões inferiores.
Mesmo que os pressupostos do acordo em negociação garantam a autonomia do Brasil na apresentação de medidas fiscais para sanar o desequilíbrio das contas públicas e que a política cambial não será alterada, restam várias questões passíveis de discussão entre o governo brasileiro e o Fundo. Segundo a mesma fonte, é isso que estaria emperrando o fechamento do acordo e o motivo do encontro entre Malan e Fischer. O modelo de acordo em discussão com o FMI prevê que o Brasil terá recursos à disposição mas terá que cumprir algumas metas, especialmente em relação às contas do setor público.

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