Arquivo FolhaTentativaRoque Fernandes: ‘‘Governo argentino quer atenuar impacto negativo criado pela decisão brasileira’’O ministro da Economia da Argentina, Roque Fernandez, reúne-se no final da tarde de hoje com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, para discutir a restrição imposta pelo Banco Central às importações com prazo inferior a 360 dias, e anunciar que seu governo está disposto a financiar empresas brasileiras para driblar o problema. A Medida Provisória baixada na semana passada entra em vigor hoje.
Com a decisão, o governo Menem atenuaria o impacto negativo provocado pela MP entre os exportadores argentinos e, também, resolveria o início de um novo conflito entre os dois países. O sistema de compensação de financiamentos por um país é um mecanismo que já existe no âmbito da Associação Latinoamericana de Integração (Aladi).
Neste caso, o Banco Central da República Argentina (BCRA) ou bancos privados se encarregariam dos créditos que os importadores brasileiros deixarão de ter no Brasil com a MP. ‘‘Temos de buscar uma engenharia de medidas que não afetem o Mercosul e que estejam baseadas na vontade política dos dirigentes dos quatro países’’, declarou o secretário de Relações Econômicas Internacionais, Jorge Campbell, antes de viajar hoje a Washington.
Fernandez, segundo a embaixada da Argentina em Brasília, quer que o governo brasileiro dê um ‘‘tratamento específico’’ à importação de produtos dos países do Mercosul (que inclui ainda Uruguai e Paraguai e o próprio Brasil). A limitação dos financiamentos à importação pode afetar pesadamente as exportações da Argentina para o Brasil, que já absorve 28% de todas as vendas externas daquele país.
Irritados, exportadores argentinos chegaram a classificar a restrição de ‘‘idiotice’’. Também o governo do Chile criticou a medida e encaminhou uma nota de protesto ao subsecretário para Assuntos Econômicos e de Integração do Itamaraty, José Botafogo Gonçalves.
Fernandez vem acompanhado do vice-ministro das Relações Exteriores da Argentina, Andres Cisneros, do subsecretário de Comércio, Alegrandro Mayoral e de outros funcionários graduados do Ministério da Economia. ‘‘Será uma reunião 100% de trabalho’’, disse um porta-voz.
PendênciasO novo problema com a Argentina surgiu no momento em que os governos dos dois países estavam empenhados em resolver uma série de pendências no campo comercial, incluindo a queixa argentina contra a política automotiva e a reivindicação de maior acesso ao mercado brasileiro de medicamentos.
Na questão dos financiamentos à importação, a posição do governo brasileiro é a de que o assunto não fere os acordos entre os dois países. ‘‘É um problema de política financeira e não comercial’’, disse uma fonte do Itamaraty. No ano passado, 30% das exportações argentinas (US$ 6,5 bilhões) foram absorvidas pelo Brasil.
A restrição adotada pelo BC afetará principalmente exportadores de alimentos e têxteis argentinos, que representam cerca de US$ 3,5 bilhões da pauta exportadora argentina ao Brasil. O único produto que não será afetado é o petróleo.
Em Montevidéu, os exportadores uruguaios qualificaram a medida do governo brasileiro de ‘‘gravíssima’’, já que 35% das exportações do país vêm ao Brasil. Isso representa cerca de US$ 1 bilhão por ano para os uruguaios.

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