O acordo que o Brasil deverá fechar com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em substituição ao que expira no fim do ano, terá validade até o fim de 2002, quando termina o atual mandato do governo federal. A garantia foi dada ontem pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, que criticou duramente o PT em discurso para uma platéia formada essencialmente por banqueiros. Para eles, o ministro enviou o recado de que os efeitos de uma nova administração, eleita em 2002, não esperarão até janeiro de 2003 para aparecer.
A afirmações foi feita durante a cerimônia de posse do presidente reeleito da Associação e do Sindicato dos Bancos do Estado do Rio de Janeiro, num almoço compartilhado por cerca de 200 representantes do mercado financeiro. Malan falou durante 40 minutos e entremeou as declarações de que o governo mantém uma postura independente dos organismos financeiros internacionais com críticas ‘‘ao maior partido da oposição’’, que prega justamente o contrário.
‘‘Como disse o Armínio Fraga, não existe possibilidade de o País implementar um programa que não sinta como seu’’, disse o ministro, que estava acompanhado do presidente do Banco Central, a quem convidou para falar de improviso. Meio sem jeito, Fraga só reforçou as palavras do ministro.
Malan tentou desfazer a imagem comumente dada ao governo nas negociações com o FMI. ‘‘A idéia que se tem aqui é de que nos sentamos sempre como pobres coitados, pedintes, devedores. Isso não é verdade’’.
Numa referência a uma declaração feita no dia anterior pelo presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, de que o FMI iria ‘‘engessar’’ as ações do próximo governo, o ministro afirmou: .‘‘Há uma visão completamente equivocada de que a idéia é fazer um acordo que irá engessar quem quer que esteja no poder em 2003. Se chegarmos à conclusão de que temos de estender o acordo com o FMI, ele só terá vigência neste mandato’’, declarou. O ministro admitiu, no entanto, que, seguindo as regras da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo tem de definir suas metas fiscais com dois anos de antecedência. Ele recusou-se a comentar as especulações de que o Brasil poderia buscar uma ajuda de US$ 18 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). ‘‘Não colocamos nenhum número na mesa.’’
O deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) disse que o ministro Malan ‘‘deveria parar de fazer vestibular para candidato e cuidar da grave crise econômica do País’’. Ele rebateu as críticas por telefone, à Agência Estado. Apesar de criticar enfaticamente ‘‘o endividamento irresponsável e recorrente’’ do País junto ao FMI, o deputado não confirma que o PT, caso chegue ao poder, vá romper imediatamente com o fundo. ‘‘Não vamos discutir hipóteses. O fato é que a dívida é uma herança muito pesada’’, afirmou. ‘‘O Brasil foi prisioneiro político do FMI durante todos os anos 80. O FMI não resolveu o problema em 98 e não vai resolver agora.’’

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