Tasso Marcelo/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)PersonalidadePresidente do Associação dos Bancos do Rio, Airton Calçada, cumprimenta Malan durante homenagemO ministro da Fazenda, Pedro Malan, reafirmou ontem que o câmbio não é e nem será indexado com base na inflação corrente. Homenageado pela Associação de Bancos no Estado do Rio de Janeiro, que comemorou os três anos do Plano Real - a serem completados no dia 1º de julho -, o ministro fez um balanço do plano. ‘‘O ano de 1997 será o quarto consecutivo da inflação em queda e o ano em que ela ficará em cerca de 7%, o menor resultado desde 1950’’, ressaltou, estimando que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 4% este ano e ‘‘mais que isso’’ em 1998.
Malan afirmou que nesse período o Brasil ‘‘deixou para trás’’ a inflação, que a abertura econômica expôs o mercado doméstico a uma competição que impediu os repasses de custos para o consumidor (alguns deles decorrentes ‘‘da ineficiência empresarial’’). Em discurso de improviso, o ministro afirmou que os preços de bens comercializáveis e não-comercializáveis estão convergindo e que, portanto, o governo não vai ‘‘abrir mão’’ de manter a inflação sob controle.
Ele foi irônico ao se referir aos que chamou de ‘‘inflacionistas de bom coração.’’ O ministro incluiu na definição aqueles que impõem o aumento dos gastos públicos para resolver os problemas e os que acham que os problemas sociais podem ser resolvidos ‘‘no curto prazo’’ com o aumento dos gastos públicos. ‘‘O combate à inflação não é um fim em si mesmo’’, afirmou. ‘‘É um falso dilema esse de inflação versus crescimento’’, criticou.
Ele também rebateu os críticos que vêm com preocupação os déficits na balança comercial, lembrando que em 1988 a inflação anual ficou em 1.000%, o superávit comercial foi de US$ 12 bilhões, ao mesmo tempo em que o País vivia uma crise externa, sem atrair investimentos diretos.
Malan também afirmou que a mudança do País ‘‘exige a mudança de práticas no setor público e privado’’, inclusive mudanças de ordem constitucional. Ele citou como fundamental para o futuro do País as reformas da Previdência Social, da Administração Pública e do Sistema Tributário.
Proálcool O ministro Pedro Malan, disse ontem que um conselho interministerial está analisando a reativação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), mas considerou ‘‘prematuro’’ qualquer anúncio sobre o assunto. O ministro lembrou que o custo de produção do álcool hidratado é hoje muito superior ao do petróleo e derivados, e que a situação atual é diferente da verificada na década de 70, quando o Proálcool foi uma solução criativa para enfrentar a alta do petróleo no mercado internacional.
O conselho interministerial, segundo Malan, está avaliando algumas questões, como aumentar o porcentual de mistura do álcool anidro à gasolina, que hoje se situa na proporção de 22%. Esta mistura pode chegar a 25%, sugeriu o ministro.
Quanto ao álcool hidratado, que tem custo de produção maior que o da gasolina, Malan afirmou que o governo não quer que seja aplicado qualquer tipo de subsídio para incentivar o consumo. ‘‘Essa é uma questão que precisa ser resolvida pelo consumidor’’, disse. O consumidor, segundo Malan, deverá escolher entre um combustível mais caro e menos poluente - o álcool hidratado - e um mais barato.

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