Malan diz que governo pode negociar medidas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de outubro de 1998
Agência Folha 
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que o governo está disposto a negociar com o Congresso qualquer alternativa às medidas do pacote de ajuste anunciado na quarta-feira, desde que as metas a serem atingidas sejam preservadas. O importante é o resultado agregado. Se houver sugestão de troca de um imposto por outro, estamos abertos, mas a referência para o Congresso Nacional é a magnitude do superávit primário que nós temos que atingir, disse Malan em entrevista a correspondentes de publicações estrangeiras baseados no Rio.
Malan disse também que, se o Congresso considerar que o melhor caminho é aprofundar os cortes nas despesas, em vez de aumentar as receitas, o governo também está disposto a negociar, mantidas as metas propostas.
A uma pergunta sobre a decisão do governo de taxar com contribuição previdenciária os funcionários públicos inativos civis, deixando de fora os militares e parlamentares, Malan respondeu que esses dois segmentos têm regimes especiais de aposentadorias e que não podem ser taxados de imediato.
Sobre a não-adoção de um imposto sobre grandes fortunas, Malan disse que essa medida tem apelo político e emocional muito grande, mas efeitos econômicos desastrosos. Segundo ele, tentativa feita pelo ex-presidente da França François Mitterrand, mostrou-se totalmente inócua, com os capitais fugindo para a Suíça, Mônaco e outros países.


