O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que a suspensão do corte de gastos de 12% aplicada no ano passado em consequência da crise asiática já estava prevista pelo governo. ‘‘Agora, com os juros praticamente voltando ao patamar praticado em outubro de 97, o governo decidiu liberar aos Ministérios da Saúde e da Educação os 12% que antes haviam sido cortados de seus orçamentos’’, disse durante o seminário Mercado de Capitais e Retomada do Crescimento, promovido pela Bolsa de Valores de São Paulo, no Mofarrej-Sheraton Hotel, em São Paulo.
‘‘Para outros ministérios, os cortes ficarão ainda em 4%’’, afirmou o ministro. ‘‘A cada bimestre vamos analisar o orçamento, buscando saber se mais alguma coisa pode ser permitida.’’ Malan atribuiu também ao aumento da arrecadação a decisão do governo de suspender os cortes no orçamento.
O seminário foi marcado para apresentação de estudo encomendado pela Bovespa à Fundação Institituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (FIpe-USP) para demonstrar a necessidade de uma reforma fiscal que desonere as empresas de capital aberto e estimule o crescimento do mercado de capitais. Em entrevista, o ministro explicou novamente todas as decisões adotadas pelo governo nos últimos meses, a partir da crise asiática e salientou que até o final do ano estará no Congresso o projeto de reforma fiscal do governo. ‘‘A arrecadação vai bem e também o governo prossegue o seu ajuste fiscal. Assinamos um acordo com o Estado do Rio de Janeiro. Foi o 23º acordo. Na próxima semana, segunda ou terça-feira será assinado o 24º acordo, desta vez com Alagoas. Temos já um acordo com o Governo do Distrito Federal (GDF), faltando apenas a assinatura dos acordos com o Tocantins e Amapᒒ, afirmou. Salientou ainda que o governo não demitiu 33 mil funcionários como chegou a se anunciar na época em que se determinou cortes no orçamento. ‘‘Se houvesse demissões, poderíamos ter cometido injustiça com pessoas que estão há dois anos no governo e trabalham. Conheço muito nesses casos. Como as informações de cadastro não eram confiáveis, tememos cometer injustiças e não fizemos os cortes. Agora, com a reforma administrativa aprovada, pessoas poderão ser afastadas por realmente não estarem prestando serviços’’.
O ministro da Fazenda afirmou que o governo está preocupado com o desemprego e analisa atualmente uma série de programas que podem ajudar a resolver o problema. ‘‘No momento só estamos estudando, levando-se até em consideração o que se faz na Alemanha, Itália, França ou Espanha, onde o nível de desemprego é elevado, chegando a 19%’’, disse. ‘‘O ministro Edward Amadeo, do Trabalho, está analisando a questão em profundidade. Uma das questões em análise é a retirada de encargos na contratação de jovens. É uma medida adotada na França. É uma das medidas em análise. Não quer dizer que venhamos a adotá-la. A questão do desemprego não se resolve com uma medida apenas’’, explicou.
Malan disse que o governo está fazendo um levantamento, onde mostrará que ‘‘muita coisa foi feita em termos de requalificação profissional no País, sendo gastos milhões de reais’’.Arquivo FolhaCenário novoO ministro Pedro Malan: juros menores e aumento da arrecadação permitem ao governo rever cortesAgência Estado

mockup