Arquivo FolhaNa defesaO ministro Pedro Malan: ‘‘Os dados de dois meses da balança não permitem especulações simplórias’’O ministro da Fazenda, Pedro Malan, qualificou de simplórias e mecanicistas as projeções de déficit da balança comercial para este ano. ‘‘Os dados de dois meses da balança não permitem especulações simplórias que multiplicam por seis o resultado do bimestre’’, afirmou. Os dados da balança referentes a fevereiro serão divulgados hoje, confirmou. Malan criticou as especulações feitas por economistas e técnicos de terceiro e quarto escalão do governo que estimam um déficit de US$ 8 bilhões este ano. Esses números não podem ser apresentados como oficiais, pois o governo não faz projeções oficiais, disse o ministro.
Malan disse ainda que a taxa de crescimento da economia no começo deste ano não será a mesma do terceiro e quarto trimestre de 96, que foi de 6,5% e proxima a 6%, respectivamente. O ministro da Fazenda reafirmou que no momento não vê necessidade de adotar medidas de contenção ao consumo. ‘‘O quadro é controvertido’’, disse, referindo-se aos indicadores que medem nível de atividade econômica. Alguns setores mostram crescimento, como o de bens duráveis, mas outros não, afirmou. Ainda é cedo para que o governo se pronuncie e tome medidas de contenção ao consumo, segundo ele.
O ministro da Fazenda participou onyrm, em São Paulo, da cerimônia de posse do novo presidente da Associação Brasileira de Bancos Conerciais e Múltiplos (ABBC), Antonio Carlos Castrucci. Em seu discurso mandou um recado aos banqueiros. Disse que os bancos devem tomar medida internas ou por intermédio de suas associações de classe para coibir práticas e procedimentos irregulares a fim de evitar que o governo tenha de adotar medidas de autoregulação do sistema.
Sobre a crise vivida pelo setor bancário nos dois últimos anos, o ministro não descarta a ocorrência de novas ‘‘turbulências’’ devido às adaptações necessárias decorrentes da passagem de uma economia recordista mundial em inflação para uma economia estabilizada. Segundo ele, os 30 casos de fusões e incorporações e transferências de controle, sem a interferência do Banco Central, desde o início do Real, mostram que o pior já passou. Malan voltou a defender mandato fixo para presidente e diretores do BC. Segundo ele, deveria ser acrescentado à Constituição que uma das funções do BC é defender a estabilidade da moeda nacional.

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