Malan diz que altas são 'passageiras'
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terça-feira, 29 de agosto de 2000
Agência Estado De Brasília 
As altas ocorridas nos preços dos alimentos, produtos de higiene e limpeza e no setor de transportes registradas nos últimos dois meses não têm sustentação ao longo do tempo. A afirmação é do ministro da Fazenda, Pedro Malan, que concedeu entrevista ontem a uma emissora de rádio.
Malan atribuiu a elevação dos índices de inflação a questões transitórias relacionadas aos efeitos de geadas, enchentes, seca e quebra de safra. A estimativa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) é de que em agosto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) fique em 1,4%.
O ministro garantiu que a meta anual de inflação, de 6% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPC-A), estabelecida pelo governo em conjunto com o Fundo Monetário Internacional (FMI), será atingida. Em relação à alta dos preços dos combustíveis no mercado internacional e o impacto desse aumento no mercado interno, Malan afirmou que o pior já foi superado. A maioria das previsões é de que seja possível uma gradual redução do preço internacional, afirmou. E também devemos aumentar a nossa capacidade doméstica de produção.
Malan voltou a criticar a idéia de haver um plebiscito sobre o fim do pagamento da dívida externa. A consulta, defendida pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem uma clara motivação de natureza política, segundo o ministro. No entanto, ele quis deixar claro que essa referência política não se aplica à CNBB. Segundo ele, neste caso a discussão está mais ligada à orientação do papa João Paulo 2.º, que defende o perdão das dívidas para os países mais pobres do mundo.


