Miguel Rojo/France PresseAssunto do diaOs ministros de Economia do Mercosul Luis Mosca, do Uruguai, Atílio Fernandez, do Paraguai, Roque Fernandez, do Argentina, e Pedro Malan, ontem, em Montevidéu: temor com desvalorização do RealO governo pretende reduzir o déficit em transações correntes (soma dos resultados da balança comercial e da conta de serviços) para um nível inferior a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1998, segundo o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Atualmente, esse déficit é de 4,3% do PIB. O pacote de medidas lançado na semana passada deve produzir também uma ‘‘forte redução’’ no déficit fiscal do setor público, segundo o ministro da Fazenda.
Ao falar durante a reunião de ministros de economia dos países do Mercosul, Malan reafirmou o ‘‘compromisso do governo de manter a inflação baixa e não mudar a política cambial’’. Segundo relato de sua assessoria, na exposição que fez aos demais ministros sobre a situação da economia brasileira, Malan mencionou também a expectativa de analistas privados de que o crescimento do PIB deve ser de apenas 2% no próximo ano. Para 1997, ele manteve a previsão de uma expansão entre 3,5% e 3,9%.
A reunião de ministros foi precedida de grande expectativa por ser a primeira vez que as autoridades econômicas do Mercosul se encontraram depois da crise das bolsas de valores internacionais. A possibilidade de uma desvalorização do real é o maior temor dos sócios do País no Mercosul, pelos efeitos negativos que tal medida teria na economia no bloco.
A Argentina, por exemplo, concentra cerca de 30% de suas exportações no mercado brasileiro, sendo que em alguns setores - como o de autopeças - essa proporção vai a 60%. Uma desvalorização do real reduziria o poder de compra dos brasileiros no mercado argentino, afetando as exportações daquele país.
Além de garantir a manutenção da política de câmbio, Malan reafirmou o empenho do governo de criar condições para que a economia brasileira - que representa quase 70% do PIB do Mercosul - volte a crescer às taxas anteriores ‘‘tão logo seja possível’’. De acordo com o ministro, as taxas de juros, o principal obstáculo ao crescimento, voltarão a cair na medida que o governo consiga diminuir o déficit fiscal, a poupança privada aumente, e tão logo termine a instabilidade nos mercados internacionais.
O ministro observou, contudo, que a turbulência internacional não deve terminar rapidamente e seus efeitos ainda serão sentidos por alguns meses pelos países da região. Ele reafirmou ainda a disposição do governo de privatizar o Banespa em 1998, e disse que, nesse momento, não há nada que comprometa a solidez do sistema financeiro do País.

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