Malan descarta pacote contra crise das bolsas
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, descartou em Brasília a possibilidade de um novo pacote econômico para combater a crise enfrentada pelo País devido às quedas das bolsas em todo o mundo. Segundo o ministro, o Brasil vai combater o problema com paciência, persistência e determinação dentro de sua capacidade.
O problema da queda das bolsas não deriva de uma crise doméstica, ela é global e, para Malan, só uma pessoa desinformada poderia esperar que o Brasil fosse o único País a conseguir uma reposta imediata. Na avaliação do ministro, o País está hoje bem mais preparado para enfrentar essa crise do que estava no final do ano passado.
O ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos Nicholas Brady, que esteve ontem no Brasil para anunciar investimentos, não acredita que o real entre em crise da noite para o dia. Apesar de ter elogiado o desempenho da equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, ele alertou que a privatização não resolverá o problema para sempre. Segundo Brady, é preciso uma solução duradoura para o desequilíbrio fiscal. Ele veio ao Brasil acompanhado de Greg Ryan, chairman da Choice Atlantica Hotels, da qual é vice-presidente.
Sobre a volatilidade dos títulos da dívida externa dos países emergentes, Brady disse não acreditar que isso seja um problema. O mercado tem uma visão mais pessimista do que eu, afirmou. Quando os investidores começam a se preocupar, é natural que saiam em busca de liquidez. Isso não é o abismo. Não estamos à beira do precipício, disse, explicando que na mesma velocidade que saem, os investidores podem voltar ao mesmo País.
Segundo Brady, a queda nas cotações dos títulos da dívida externa dos emergentes é uma correção, que poderá ser sucedida por outra. Ao mesmo tempo, é um grande momento para se comprar. Há pessoas que compram chapéu de palha no inverno porque é mais barato.
As bolsas de valores domésticas seguiram em queda ontem. A Bovespa caiu 4,37% e a Bolsa do Rio, 3,58%. Desta vez, o Dow Jones não foi contaminado pelo pessimismo internacional e fechou em alta de 1,06%.DivulgaçãoSem alarmismoBrady (à dir), com Ryan: Não estamos à beira do precipícioDas agências





