Arquivo FolhaMalan: argumentação para dissipar nervosismo na comunidade financeiraO governo brasileiro está convencido de que ‘‘não existe alternativa’’ para a reforma econômica estrutural e institucional e garantiu que se manterá firme nesse objetivo sem que ocorra o risco de desvalorização de sua moeda, assegurou o ministro da Economia, Pedro Malan.
Em artigo publicado ontem pelo jornal The Wall Street Journal, Malan apresenta uma série de argumentos destinados a dissipar o nervosismo da comunidade financeira ante o risco de uma eventual desvalorização do real.
‘‘Alguns sugerem que o real brasileiro é candidato a uma desvalorização como as registradas recentemente nos países do sudeste asiático’’, disse Malan. ‘‘Isso é ignorar o compromisso dos brasileiros com a estabilidade e com as mudanças fundamentais na economia brasileira’’.
Segundo o ministro, o Plano Real, lançado em julho de 94, é ‘‘o plano de estabilização mais bem sucedido da história do Brasil’’. Malan destacou que, em particular, o plano permitiu que a inflação de quatro dígitos fosse reduzida a 10% em 96 e, segundo o previsto, para 6% ou 7% em 97.
Espera-se que para o fim do ano, a economia brasileira terá crescido 24% desde 93. Os investimentos estrangeiros, inferiores a US$ 1 bilhão em 93, chegaram a US$ 2,2 bilhões em 94, US$ 3,9 bilhões em 95, US$ 9,4 bilhões em 1996 e, provavelmente, superarão os 15 bilhões este ano, segundo ainda o ministro.Malan destaca, além disso, o programa de privatizações ‘‘maciço’’ iniciado por seu Governo e a reforma da previdência social.
Malan também assinala como êxito suscetível de dissipar os temores dos investidores o fato de que os funcionários públicos brasileiros não estarem recebido aumentos do salário há mais mais de dois anos. ‘‘O último aumento geral de salário dos funcionários federais foi concedido em janeiro de 1995. Em 1996, a carga salarial federal foi inferior em termos nominais à de 1995’’, afirmou.
Por último, Malan afirma que a reforma do sistema financeiro ‘‘está bem encaminhada’’. ‘‘Não há risco de problemas bancários sistêmicos’’, enfatizou. Segundo o ministro, ‘‘os brasileiros vêem o futuro com confiança’’.

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