O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que o valor econômico real do Bamerindus era algo entre ‘‘zero e menos alguma coisa’’, quando foi vendido ao HSBC, em abril. Ele foi convocado para esclarecer, no plenário do Senado, a intervenção do Banco Central no banco paranaense e a venda da parte boa para o HSBC. O ex-proprietário do banco, senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB-PR), havia dito na época que a instituição valia R$ 1,5 bilhão. ‘‘Se esse fosse o efetivo valor na visão do mercado, ele não teria passado por essa operação’’, disse Malan.
Segundo o ministro, o Bamerindus perdeu, entre junho de 95 e dezembro de 96, um total de 37% dos depósitos à vista e 78% dos depósitos à prazo. Isso representou uma perda líquida de R$ 4,8 bilhões. José Eduardo não participou do debate. Ele foi orientado por seus advogados a não comparecer no plenário.
Antes de começar a sessão, José Eduardo conversou com os senadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Eduardo Suplicy (PT-SP) e sugeriu alguns pontos que poderiam ser questionados. Requião questionou os direitos dos acionistas minoritários, que reclamam participação nos recursos que foram pagos pelo HSBC ao BC. O ministro não respondeu, justificando que essa questão tem um caráter jurídico complexo e que deve ser analisado.
Pedro Malan disse que o Proer tem agora vida curta porque não existe mais risco de quebra do sistema financeiro.

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