O ministro da Fazenda, Pedro Malan, criticou ontem a proposta de extinguir todas as barreiras para a entrada e saída de moeda estrangeira no mercado financeiro, feita pelos principais executivos do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Falando como integrante do Comitê Interino do FMI - que reúne 24 representantes dos países que constituem o fundo -, Malan afirmou que não é possível aumentar a liberdade no movimento de capitais sem uma ‘‘atenção especial’’ para as dificuldades provocadas na administração da política econômica.
Os executivos do FMI que defendem a liberalização do movimento de capitais argumentam que ela pode ser feita de forma gradual, e que os governos podem adotar restrições à entrada e saída de moeda estrangeira, desde que essas medidas tenham caráter transitório.
A proposta é vista com desconfiança pela esmagadora maioria dos países em desenvolvimento. Reunidos no chamado G-24 (uma referência ao número de integrantes do grupo), os principais países em desenvolvimento divulgaram um comunicado criticando a idéia. A crítica mais radical partiu, porém, da Malásia, um dos chamados tigres asiáticos - países que fizeram grande parte das reformas preconizadas pelo FMI e nem assim escaparam de fortes turbulências econômicas.
O primeiro-ministro da Malásia, Mahatir Mohamad, deu entrevistas anunciando a criação de fortes controles sobre entrada de capitais em seu país. E em seminário do Banco Mundial, depois de acusar o mercado financeiro internacional de enriquecer os especuladores à custa do empobrecimento dos países, chegou a defender a proibição de transações financeiras internacionais, a não ser para financiamento do comércio.
A quilômetros do radicalismo de Mahatir, Malan endossou, na reunião do comitê interino, críticas mais amenas, de países como a Venezuela (apesar de ter afirmado, em entrevistas antes da reunião, que as divergências em torno da liberalização de capitais ‘‘não podem ser vistas como uma questão entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento’’). Para Malan, com os grandes volumes de investimento estrangeiro de curto prazo vagando pelo mundo, não basta assegurar ‘‘sólidas políticas macroeconômicas’’ para evitar distorções nas economias dos países.
Segundo o vice-diretor gerente do FMI, Stanley Fischer, o maior defensor da proposta de liberalização do capital estrangeiro, a média de fluxo de capital para os países em desenvolvimento excedeu US$ 150 bilhões entre 1990 e 1996, e só em 1996, os países em desenvolvimento receberam US$ 235 bilhões a mais do que enviaram ao exterior. Os países que recebem esses fluxos de capital não podem confiar apenas no fortalecimento de seus sistemas bancários, disse ele.

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