Malan contesta FMI sobre crescimento da economia
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segunda-feira, 19 de novembro de 2001
Fábio Alves<br>Agência Estado 
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, classificou ontem a revisão de crescimento da economia brasileira anunciada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como ''projeção da semana''. Ontem, o FMI reduziu drasticamente a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2002 de 3,5% para 2%. Para este ano, a previsão caiu de 2,2% para 2%, como consequência dos impactos dos atentados terroristas sobre a economia mundial e brasileira.
''Nesse grau de incerteza, de instabilidade, de volatilidade e de risco, o valor dessas projeções é muito reduzido'' , afirmou Malan, que se encontra na cidade para participar da reunião do G-20, que terminou ontem.
Segundo o ministro, as projeções feitas neste momento podem se alterar rapidamente em uma direção ou em outra. ''Não tem muito sentido um excesso de preocupação com a previsão da semana'', afirmou. Ele lembrou que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Paul O'Neil, fez uma eloquente intervenção ontem dizendo que achava extremamente pessimistas as projeções do FMI para a economia americana. O FMI reduziu a projeção do PIB americano para 1,1% em 2001 e apenas 0,7% em 2002. ''Não estamos lidando com uma ciência exata, como a demonstração de um teorema. Estamos lidando com um mundo cheio de incertezas e não econômicas'', afirmou Malan.
Ele disse acreditar na capacidade de recuperação da economia brasileira, e acredita que em 2002 será melhor do que em 2001, se o País superar a crise de energia elétrica e também se for mantida maturidade e sensatez diante do quadro político em 2002.
Malan lembrou que, apesar dos choques sofridos pela economia brasileira (como o atentado terrorista, crise de energia elétrica, contágio da Argentina e desaceleração econômica mundial), a economia conseguiu crescer 3,12% no primeiro semestre de 2001.
Ele citou também que, nos primeiros nove meses do ano, a indústria de bens de capital teve um crescimento de 15,2% em relação a igual período do ano passado e que a indústria de telecomunicações cresceu no mesmo período 13,6%. ''Se fizermos o que temos de fazer domesticamente, e se o cenário internacional não piorar em 2002, estou confiante na capacidade econômica expressiva que o Brasil tem'', afirmou o ministro da Fazenda.


