Malan considera positivo inicio da viagem à Europa
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segunda-feira, 09 de setembro de 2002
Agência Estado 
Madri - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, considerou como ''muito positivo'' o primeiro dia de sua viagem pela Europa. Munido de estudos elaborados pelo Banco Central (BC) que apontam a sustentabilidade do balanço de pagamentos do País e também com cópias de declarações dos candidatos à Presidência se comprometendo a manter alguns compromissos macroeconômicos, o ministro tentou tranquilizar as autoridades, banqueiros e empresários espanhóis.
''O objetivo desses contratos aqui na Europa não é o de fechar acordo nenhum ou obter documentos repletos de números'', disse Malan. ''Vim aqui explicar a conjuntura brasileira e obter um compromisso equivalente ao que tivemos com os 16 bancos na reunião em Nova York no mês passado.''
Segundo Malan, que viajou acompanhado do diretor da área externa do BC, Beny Parnes, o clima de incerteza entre os investidores internacionais é muito grande, mas não apenas em relação ao Brasil.
''Vivemos hoje num mundo marcado por grandes incertezas, que leva a uma postura conservadora por parte de muitos, principalmente aqueles que foram submetidos a perdas significativas em algumas regiões do mundo.''
O ministro não disse com todas as letras, mas obviamente referiu-se aos espanhóis, que acumularam grandes prejuízos na Argentina. Mesmo assim, ele assegurou que a resposta dos representantes dos grandes bancos espanhóis - Santander e BBVA - alinha-se com a obtida na sede do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano). Ou seja, haverá uma ''manutenção do atual nível geral de negócios no Brasil por parte desses bancos.''
Retomada gradual - De acordo com Malan, já há sinais de que os créditos externos para as empresas brasileiras estão sendo gradualmente reativados. ''Mas, como já alertei, não temos a ilusão de que haverá uma virada de jogo súbita, que os créditos serão restabelecidos 24 horas ou 48 horas após as nossas visitas'', afirmou.
''Vivemos um momento de fortes incertezas no cenário internacional, inclusive de ordem política e militar, que elevaram a aversão ao risco e estão apertando a liquidez.''
Confiança - Malan afirmou também que no seu almoço com os representantes de dez empresas espanholas com grandes investimentos no Brasil, entre elas Telefónica, Iberdrola e Repsol, pôde confirmar que a confiança nas perspectivas da economia brasileira no médio e longo prazos continua inabalada. ''Recebi de todos essa avaliação.''
Já os banqueiros e empresários espanhóis evitaram falar abertamente sobre os encontros com Malan. Um deles, do setor de energia, disse à Agência Estado que o ministro ofereceu argumentos convincentes sobre os rumos da economia brasileira e as condições para superação da atual crise.


