Malan confirma: juros caem amanhã
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de dezembro de 1997
Agência Estado Montevidéu 
As taxas de juros, que o governo dobrou no final de outubro para proteger o real de um ataque especulativo, sofrerão uma redução quarta-feira. O anúncio foi feito ontem pelo Ministro da Fazenda, Pedro Malan, em entrevista em Montevidéu, durante a 13ª reunião de presidentes dos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). Vai haver redução, mas não vou dizer a magnitude, disse Malan.
Mas fontes do governo anteciparam que a queda poderá baixar a Taxa do Banco Central (TBC), que determina o piso das demais e que hoje está em 2,9%, para um nível entre 2,6% e 2,7% ao mês. Isto significa dizer que a taxa de juro poderá cair dos atuais 40,92% ao ano para 36,07% ou 37,67% ao ano. No final de outubro a TBC era 1,58% ao mês.
A porcentagem de redução será determinada quarta-feira porque, como explicou o próprio Malan, nesse dia o Comitê Política Monetária (Copom) do Banco Central terá sua reunião mensal para avaliar a conjuntura econômica e decidir as taxas de juros do mês seguinte - neste caso, janeiro. Sem querer dar cifras precisas, o ministro da Fazenda, no entanto, se arriscou a fazer uma previsão otimista para o futuro.
Taxas de juros dessa magnitude são insustentáveis, mas não ficarão altas por muito tempo disse Malan. Ele explicou que o governo é o maior interessado na redução, porque é o maior tomador de empréstimos e não está em condições de encarecer sua própria dívida.
Sem querer cantar vitória antes do tempo, o ministro, no entanto, deu um recado à oposição, afirmando: Quem usar as críticas contra os juros como bandeira política, ficará sem discurso.
Na mesma entrevista, o Ministro do Planejamento, Antônio Kandir, explicou que essa redução será possível porque foi adotado um conjunto de medidas fiscais, que lhe permitirão arrecadar mais de R$ 20 bilhões, e porque o Congresso aprovou as reformas necessárias para equilibrar as contas do governo. O terceiro fator determinante será o anúncio, em janeiro, de um corte - estimado em R$ 3,8 bilhões - no orçamento previsto para 1998.
Kandir detalhou os cortes que afetarão também, embora de maneira pouco significante, os projetos do Brasil em Ação. Segundo ele, haverá uma redução de cerca de R$ 1,7 bilhão no custeio da máquina federal e de aproximadamente R$ 500 milhões nos investimentos. E será feita ainda uma economia de R$ 800 milhões com a renegociação de contratos públicos. O governo também cortará despesas de cerca R$ 1 bilhão, que o Congresso acrescentou.
As medidas internas para consertar a situação já foram tomadas, disse Kandir. Agora, o futuro será determinado pela conjuntura internacional, acrescentou. Na opinião de Kandir, o pior da crise asiática já passou - o que não significa, necessariamente, que sejam descartados novos terremotos financeiros.
Cenários A atual crise foi em parte motivada pela desvalorização que a China promoveu em 1994, o que levou os Tigres Asiáticos a perderem competitividade para os produtos chineses de baixo valor agregado, explicou Kandir. Um cenário pessimista incluiria uma nova desvalorização da moeda chinesa, que afetaria o desempenho comercial do resto do mundo, levando países como os Estados Unidos a elevarem suas taxas de juros. Mas como estão todos atentos, é pouco provável que isso ocorra.


