Malan comenta as altas taxas: 'É preciso ver adiante'
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sexta-feira, 18 de agosto de 2000
Agência Estado De Goiânia 
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou ontem que é absolutamente natural o aumento da inflação em um ou dois meses e, mais uma vez, assegurou que a inflação anual não se afastará da meta de 6%. O compromisso do sistema de metas inflacionárias, adotado pelo governo, se refere a taxa de inflação anual, insistiu Malan.
E lá nós vamos chegar. A política econômica não pode ser feita com base em uma semana, em um mês ou um dia, afirmou o ministro, ao comentar o IPC da Fipe, divulgado ontem, que registrou alta de 1,87% na segunda prévia de agosto.
Malan que esteve em Goiânia, onde participou do Seminário Caminhos do Desenvolvimento - Avança Brasil , disse ser necessário que se desenvolva a capacidade de ver adiante. Segundo ele, qualquer analista sério da cena econômica brasileira avalia que a elevação dos índices de inflação não tende a ter continuidade. Ele lembrou que, nos últimos meses, houve geadas, secas e enchentes em certas regiões do País que afetaram a produção de alguns produtos e tiveram impacto nos índices de preços.
Os aumentos de tarifas, segundo o ministro , não ocorrem ao longo de todo o ano. Ele lembrou, no entanto, que alguns aumentos são inevitáveis, como o preço do petróleo, que estava entre US$ 10 e US$ 12 o barril no ano passado e subiu para além de US$ 30 este ano. É por isso, comentou, que alguns países usam o núcleo inflacionário, retirando do cálculo da inflação estas eventualidades e sazonalidades. Não fizemos isso aqui. Nosso sistema capta todas estas eventualidades, disse.
O ministro afirmou que a elevação dos índices de inflação neste trimestre não levará uma consulta do governo ao ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Deixamos claro com o Fundo que o compromisso com a inflação é anual, disse, insistindo que o Brasil não tem compromisso de inflação com base bimestral ou trimestral, mas sim anual.


