Curitiba - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou ontem em Curitiba que tem plena confiança na capacidade de recuperação da economia brasileira mesmo com o ''medo contagioso'' que se instalou e disse que o encontro do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com os presidenciáveis na próxima semana vai permitir que a sucessão presidencial ocorra de forma tranquila. Malan esteve ontem na cidade para falar sobre a situação econômica do Brasil para empresários paranaenses. Ele também comentou sobre os US$ 2 bilhões de recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) que irão incentivar a exportação.
Para Malan, o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) era a melhor opção para o governo atual e vai dar grande contribuição para a governabilidade do próximo presidente.
Mas mesmo com a ajuda do FMI, a economia brasileira não deu sinais de melhora: entre os dias 9 e 15 de agosto, o dólar subiu 10,3%. De acordo com Malan, as crises internacionais estão prejudicando o Brasil. ''Nos últimos meses houve dezenas de fraudes contábeis que geraram perda de riquezas de trilhões de dólares no mundo, o que levou a um conservadorismo e cautela maiores'', observou Malan.
A instabilidade do sistema financeiro em decorrência das eleições presidenciais é ''exagerada'', segundo Malan. ''Há uma excessiva preocupação com turbulências naturais. Qualquer que seja o resultado das eleições espero que o próximo presidente tenha mais acertos do que erros'', ressaltou. Para o ministro, os ''corações, mentes e nervos mais frágeis'' deveriam se acostumar com o processo de transição ocasionado pela sucessão.
Ao ser questionado por empresários sobre a alta carga tributária brasileira, defendeu seu colega de governo, o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. ''Alguns o acusam de ter uma falha genética, de ter uma sanha arrecadatória. Mas o que define a carga tributária não é a sanha de um eventual secretário, mais a tradição brasileira de aumentar gastos públicos'', disse, justificando o aumento de arrecadação para dar conta dos débitos.

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