Malan anuncia nova redução nos juros
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quarta-feira, 14 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
O governo fará uma nova rodada de redução das taxas de juros no final de janeiro. Foi o que afirmou ontem o ministro da Fazenda, Pedro Malan, em entrevista à Rádio Jovem Pan, de São Paulo. O que eu quero dizer é que, na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), no final de janeiro, nós daremos continuidade na trajetória de declínio da taxa de juros, afirmou. Mas nós nos reservamos o direito de não alimentar especulações sobre qual é exatamente a magnitude e a intensidade dessa queda, porque nós nos reservamos o direito de decidir à luz das circunstâncias, na data que já é conhecida, em que essas decisão é tomada.
Malan lembrou, porém, que a redução gradual tem sido mantida desde meados de novembro. O governo diminuiu a taxa três semanas após tê-la dobrado, no auge da crise asiática. A elevação dos juros, somada ao anúncio do pacote de ajuste fiscal de R$ 20 bilhões que foi rapidamente aprovado pelo Congresso, mais o avanço das reformas constitucionais, formam a resposta do Brasil à crise. As decisões do Brasil, segundo o ministro, são reconhecidas e elogiadas internacionalmente. Essa é a melhor defesa contra esse tipo de turbulência: mostrar que nós temos rumo, sentido de direção, sentido de propósito e capacidade de não só regir como de continuar, aprofundar e acelerar o processo de mudanças e de reformas, no qual estamos empenhados há alguns anos, disse.
Ainda assim, admitiu o ministro, ao longo deste ano o Brasil continuará a sofrer os reflexos da crise. Por causa disso, ele adiantou que a taxa de crescimento da economia será menor do que a esperada antes da crise, embora ainda positiva. Malan previu ainda uma redução no fluxo de investimentos estrangeiros. Não teremos o mesmo financiamento externo que tivemos ao longo dos últimos anos, afirmou. Portanto, teremos que reduzir não só o déficit em conta corrente, no balanço de pagamentos, como também o déficit fiscal em 98.
Malan disse que a economia brasileira vem sendo testada pelo mercado financeiro internacional cotidianamente. Nós vivemos sendo testados sistematicamente, nós e todo e qualquer país no mundo com certa relevância do ponto de vista da participação no mercado financeiro internacional, afirmou.
O ministro acredita, porém, que o País já mostrou que é capaz de enfrentar um ataque especulativo. O ministro descartou qualquer mudança na política cambial, e lembrou que, com a política atual, a moeda brasileira já vem sofrendo desvalorização real frente ao dólar. Em 97, a desvalorização teria sido próxima de 7,5%, enquanto a taxa de inflação ficou em 4,5%. Portanto, isso é uma desvalorização real que já vem tendo lugar em relação ao dólar norte-americano, e nós não pretendemos alterar o sentido geral da política cambial, com a flexibilidade que ela tem e com a maneira pela qual vem sendo conduzida, afirmou.
Decisão técnica O porta-voz da presidência da República, Sergio Amaral, disse ontem que não há previsão nem de retardar, nem de acelerar a queda da taxa de juros. Segundo Amaral, a alteração do percentual é uma decisão técnica da equipe econômica do governo. A tendência é declinante, mas o momento e o ritmo é avaliado a cada momento, argumentou.
O porta-voz voltou a dizer que a posição do presidente Fernando Henrique, favorável à queda dos juros, é conhecida. Ele garantiu, entretanto, que em nenhum momento o presidente pressionou o Banco Central para a redução.


