O ministro da Fazenda, Pedro Malan, garantiu ontem que ‘‘a meta de inflação de 4% será cumprida’’. Em entrevista à Agência Estado, ele disse que o debate em torno da projeção de uma taxa Selic de 15,75% para um modelo que considera o IPCA de 4,8% ‘‘também está sujeito a todos os riscos e incertezas’’, como ocorreu para os anos de 1999 e 2000. No último relatório de inflação, divulgado sexta-feira, lembrou Malan, o modelo do Banco Central está sugerindo que ‘‘sob um conjunto de hipóteses sempre sujeitas a revisão e risco’’, a inflação pode ficar em 4,8% no ano de 2001. ‘‘Se ficar em 4,8% – acho que vai ser mais baixo do que isto – nós vamos dizer que a meta foi cumprida, porque a meta era 4% mais dois; menos dois’’. ‘‘Não será um desastre’’, disse.
Ele comentou, ainda, que o governo adotou o modelo de variação da meta para mais dois e menos dois porque, ao contrário de outros países, o Brasil não trabalha com o modelo de núcleo inflacionário. ‘‘Devido a problemas de credibilidade, não trabalhamos com núcleo inflacionário. Assim, os índices evidenciam o impacto de todos os aumentos. Não são retirados da análise os preços mais voláteis’’, disse. Essa decisão, segundo ele, não foi aleatória e cumpre o objetivo de permitir ao governo e ao Banco Central ‘‘um tempo’’ para avaliar ‘‘a natureza e a intensidade da resposta do governo’’. ‘‘Não há necessidade de se retirar o revólver do coldre’’, disse.

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