O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que o governo não descarta a hipótese de fazer aumento de impostos na reforma fiscal que está em gestação. ‘‘Nós não podemos eliminar, a priori, qualquer alternativa’’, afirmou. Malan não detalhou o que poderá ser feito. Disse apenas que, ao aumento de impostos, o governo prefere trabalhar com o corte e com a melhoria da qualidade dos seus gastos. Ele afirmou que a ‘‘incapacidade de análise’’ fez com que as medidas de ajuste das contas públicas tomadas pelo governo no último dia 8 fossem percebidas como inexpressivas.
O anunciado corte de R$ 4 bilhões nas despesas até o fim do ano, segundo o ministro, é ‘‘extremamente expressivo’’. Além disso, segundo o ministro, as medidas criaram as bases para o governo fazer um ajuste fiscal efetivo.
Malan voltou a dizer que o governo não vai alterar a política cambial nem fazer controle de remessa de dinheiro para o exterior. Ele fez uma palestra de 40 minutos para executivos financeiros brasileiros e estrangeiros reunidos no Rio, cuja tônica foi a defesa de uma ‘‘ação coordenada internacional’’, de caráter preventivo, para evitar a contaminação geral da economia mundial pela crise financeira iniciada na Ásia.
O ministro afirmou que sua expectativa é que os primeiros sinais dessa ação surjam já na próxima semana, tanto na reunião do Fed, o banco central dos Estados Unidos, marcada para o dia 29, quanto na reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional), que começa no dia 28. Do Fed, Malan espera a redução das taxas de juros norte-americanas, o que, na sua avaliação, evitará que o fantasma da recessão se materialize na economia mundial.

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