Malan admite rever medidas tributárias
Agência Estado
De São Paulo
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, reconheceu ontem que o governo poderá rever algumas das medidas tributárias divulgadas ontem para elevar a arrecadação e compensar a perda de R$ 2,4 bilhões causada pelo veto à contribuição previdenciária dos servidores inativos. Não temos o monopólio da verdade e nem o reconhecemos em ninguém, disse o ministro, para uma platéia de representantes do mercado de capitais. Estamos sempre dispostos a reconsiderar, a rever, desde que sejamos convencidos de que devemos fazê-lo.
Malan fez questão de repetir, pelo menos quatro vezes durante seu discurso, que as medidas têm caráter transitório e podem ser revertidadas ou eliminadas tão rapidamente quanto uma solução estrutural seja encontrada. O ministro, que participou da posse da diretoria reeleita da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), foi recebido na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro com críticas, mesmo que comedidas, como a do presidente da entidade, Alfried Plöger: Sem querer alfinetar nosso convidado de honra, esperamos tornar o mercado tão grande quanto o governo nos permitir fazer.
Sem perder a serenidade, o ministro respondeu que não é intenção do governo aumentar a carga tributária do setor produtivo. Entendo a angústia e a irritação com medidas recentes, como a da Cofins, admitiu, referindo-se ao fim da dedução da Cofins na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Ele salientou, porém, que decisões como esta acabarão imediatamente após a aprovação da reforma tributária. Queremos um regime tributário compatível com o Brasil do século 21, justificou.
Não fizemos isso porque temos o prazer sádico de gerar superávits primários, defendeu-se Malan. Mas porque o superávit é necessário para estabilizar o déficit público e colocá-lo em trajetória declinante em relação ao PIB. Ele voltou a argumentar que esta foi a única forma viável para compensar as perdar decorrentes da decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucional a contribuição previdenciária dos servidores. Foi uma resposta à decisão do STF, da qual não há como questionar o mérito, disse.
Malan afirmou que o importante agora é conseguir diminuir a percepção do Risco Brasil e manter a trajetória de inflação descendente. Com isso, afirmou, será possível reduzir os juros e fortalecer o mercado de capitais brasileiro. Malan chamou atenção para as discussões de âmbito político e lembrou que não é possível manter privilégios e garantias que não existem em nenhum lugar do mundo.Ministro diz que ações transitórias podem ser revertidas se houver outra solução para o rombo na Previdência
Vanderlei Almeida/France PresseLAMENTOOntem, ao chegar à Bolsa de Valores do Rio para um almoço com empresários, o ministro Pedro Malan disse que também perde com o pacote: Sou um velho servidor público, com 33 anos de serviço, meu pai também era, e minha mãe vive da pensão de meu pai





