Há quase um mês a Usina Casquel, que produz açúcar e álcool, instalada em Cambará no norte pioneiro do Estado, está sob a tutela de um interventor nomeado pela justiça e há mais de 20 dias suspendeu as atividades. A intervenção é parcial e visa à fiscalização do setor produtivo. Agora, funcionários e credores, pleiteiam a intervenção total para que a empresa não pare de funcionar de vez. A usina vem passando por inúmeros problemas há meses e desde dezembro começou a atrasar salários, pagamentos de fornecedores e a entrega de encomendas previamente pagas. Ninguém sabe ao certo o montante da dívida, mas alguns envolvidos apontam que o volume chegue a R$ 100 milhões.
Nos últimos meses, outras indústrias do setor no Paraná apresentaram problemas, entre elas a Corol Cooperativa Agroindustrial, com sede em Rolândia, e a Cofercatu, instalada em Florestópolis, como foi noticiado pela FOLHA. A Cofercatu acabou sendo adquirida pelo grupo Alto Alegre, de São Paulo. E a Corol busca recuperação por meio da fusão com a Cocamar. São casos pontuais ou o segmento tem passado por dificuldades?
No caso da Casquel, só os passivos trabalhistas ultrapassam os R$ 5 milhões. Mais de 750 funcionários entram no terceiro mês sem receber os salários. Na semana passada, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fabricação de Açúcar e Álcool de Jacarezinho e Região, conseguiu junto à Justiça do Trabalho a liberação do FGTS e Seguro Desemprego do empregados. Mas antes, o sindicato havia conseguido 'bloquear' a venda de parte do álcool que havia na unidade e vender o produto para dividir entre eles.
Produtores de cana que entregaram a matéria-prima mas não foram pagos e distribuidores que compraram, pagaram e não receberam o produto da Casquel também entraram na justiça pelo seus direitos. O advogado Laércio Alcântara, que defende um grupo de produtores e distribuidores, afirma que a dívida da empresa com eles chega a R$ 5 milhões - o que equivalia a 8 milhões de litros de álcool quando o problema começou em dezembro passado.
Tanto o grupo de credores quanto o de trabalhadores ingressaram na justiça com um pedido para que a intervenção seja total e em caráter urgente, para evitar possível sucateamento da empresa e para que a mesma volte a funcionar. ''Tem produtor que tem cana mas não tem para onde entregar e tem distribuidor que precisa de produto mas tem onde comprar'', observa Alcântara, frisando que se a empresa continuasse funcionando seria uma forma de amenizar o problema. Mas, na opinião dele, teria que ser sob a atuação de um interventor pois a empresa tem uma série de dificuldades na setor administrativo.
Na outra ponta, o sindicato dos trabalhadores também teme que a empresa não volte a funcionar e que mais de 700 pessoas percam seus empregos. ''Estamos muito preocupados e sem perspectivas'', reclama José Ramos Vasconcelos, presidente do sindicato. Ele conta que a empresa enfrenta diversos problemas há muitos anos e que sempre atrasava os salários em pelo menos 10 dias. Segundo ele, há alguns anos a usina já precisou ser interditada. No que diz respeito à infraestrutura, Vasconcelos frisa que nem equipamentos básicos de segurança para trabalhar os funcionários tinham.

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